Manso, manso, ele voltava pra loja. Ia naquele passo de que tudo era melhor que atravessar a rua. O sinal da Rio Branco ali na altura do Avenida Central ajudava, dando-lhe tempo para contemplar o derredor.
O meio-dia fazia seu trabalho, a luz do sol no grau máximo, e para dar uma idéia os inúmeros escapamentos conseguiam ser uma brisa mansa na canícula que, para Nelson Rodrigues, derreteria catedrais. Tempos daquele cronista da vida real, aqui e ali naquelas mesmas esquinas andando do e para o trabalho, ele e tantos outros, tomando um cafezinho e coletando silente o material para sua próxima lauda de ganha-pão.
Tempos de bonde aqueles, de ônibus soltando fumaça preta e de atuantes em todos os setores, ostentando suas atividades de peito aberto. Um Brasil para se fazer, parecia essa a diferença entre eles. Época de Nelson ainda se viam os vereadores passando lado a lado na rua. Ainda se valia a pena ter opinião sobre a vida, a política, o futebol.
Fred olhou para cima e mirou bem um anúncio gigantesco de celular. A modelo, com aquela cara de que estava curtindo de montão a vida. Tinha o plano certo e o aparelho certo para falar à vontade. E você que se dane.
Mas falar sobre o que, pensava Fred. Há ainda do que se falar nestes tempos esquisitos? O Brasil se governava sozinho, o que significa que o alto comando - aliás todo o comando - se trancou na cabine com o resto das provisões enquanto nós, a marujada, nos comandávamos uns aos outros sem na verdade comandar nada. Tentando ancorar em porto seguro, sem nem mesmo poder adivinhar que diabos era uma bujarrona, onde estava o tal sotavento e outros quetais para a direção e operação correta.
Se divertindo de leve com a metáfora, Fred pensava no quanto era triste um mundo sem rumo como o nosso. Não que sentisse falta dos generais que assolaram este país, isso ele não queria ver de volta, mas ao menos um líder que, nas piores situações, piscasse um olho para a câmera internacional. Como que dando ao brasileiro a sensação de que, se daquele evento não saísse uma solução, ele faria uma molecagem de gente grande com os mandões ao seu redor. Como tirar de dentro do paletó um bolinho de bacalhau e entregar para a rainha da Noruega, por exemplo.
O sinal fechou, abriu, e Fred constatou que ainda tinha quinze minutos de hora de almoço. Encostou ali no poste do sinal (como quererão os paulistas, o semáforo) e acendeu um cigarro. A vontade de voltar para a copiadora onde trabalhava era minúscula. Ao seu redor, tantas pessoas iam e voltavam, as mulheres com olhar determinado avançavam, nariz erguido, uma determinação no coração que era bonito de se ver. Aliás, as mulheres sempre eram bonitas de se ver, todas tinham para Fred uma beleza puramente sua. Já os homens, esses todos tinham uma cara de quem estava preso, mas logo ali adiante se escapava. Sim, era isso, os homens estavam todos e cada um procurando a saída, como quem terminou de assistir a um filme no cinema, a porta está logo ali, já saio. Os homens estavam apenas resistindo, e as mulheres tinham o mundo inteiro pela frente. E nenhuma delas precisava do Fred para abrir caminho.
Foi nisso que os raciocínios, aparentemente desencontrados, se fundiram. Nos tempos do Nelson, a mulher estava em casa esperando. Agora, os homens mantinham a posição para dar passagem às mulheres, e assim esta nau amotinada estava entrando no terceiro milênio. E as mulheres jamais dariam atenção para a porcaria da bujarrona.
Seu cigarro acabava, sua hora de almoço acabava, os gritos dos camelôs não acabavam nunca. O movimento ao seu redor se espraiava por quilômetros ao seu redor, o formigueiro carioca produzindo de tudo. Hora dele mesmo, Fred, entrar de volta no seu canto de concreto e fazer valer o seu butim.
A copiadora onde trabalhava também tinha um setor de impressões. Fred era, poucos meses atrás, operador de computador ali, e tratava os arquivos dos clientes para impressão. Vinha de tudo parar ali, os alienados, os determinados, os chorões, os mandões, todos tinham um arquivo para imprimir imediatamente ali. Sem perder um minuto sequer.
Tinha se esforçado para mudar de posição, queria fazer atendimento. Era bom em lidar com pessoas, e o atendimento pegava-as ali frescas, começava a entender a situação delas, dava tratos à bola, e passava adiante para a computação. O fascinante para ele era o imprevisível da função. O cliente chegava com todo o espectro humano de emoções naquele balcão. E o atendimento lá, compassivo, sorridente quando adequado, pondo-lhe em outro ritmo mais fácil de se lidar, ajudando com os termos certos e com os prazos necessários para se fazer os trabalhos.
Não que Fred fosse o modelo gentil de atendimento sempre apto a ajudar. Isso, nem sempre ele era, principalmente porque depois de assumir o cargo, foi obrigado a se vestir usando gravata, camisa social, sapatos e o salário aumentou apenas cinco por cento. E deveria estar o dia inteiro de pé. Se já tivesse tido sua tão desejada filha, provisoriamente chamada de Valkíria nos reinos da sua imaginação, poderia comprar quatro pacotes a mais de fralda descartável para ela com esse reajuste.
Chegando na loja, pensou na provável Valkíria. "Nem tão provável assim, na verdade", corrigiu-se. Ainda precisava de uma namorada para fazê-la, no mínimo. Teve a namorada entre os dedos, parecia mesmo ser a lendária mulher ideal, aquela tal que contracenava com tantos mocinhos em tantos filmes. Que fazia "uops" na hora de ser engraçada, entendia as maluquices da vida e tantas outras coisas que fariam sentido apenas na mulher ideal. E era bonita e inteligente, também. Massivamente inteligente. Mas a namorada, depois de bastante impressionada com a prodigalidade com que ele torrava sem reservas seu cartão de crédito, deixou bem claro que não ia ter Valkíria nenhuma em seu futuro com ela. Nem Godofredo, nem mesmo um Rogério ou uma Renata. Ela era determinada a não engravidar, que ainda tinha muito o que fazer nessa vida.
Fred pensava nesses fatos com boa parte do cérebro, enquanto mãos, olhos, boca e pernas eram coordenados por um piloto automático desenvolvido para dias que passavam devagar. Com uma jornada de nove horas em pé praticamente o tempo todo, isso significava qualquer dia. Atendia, dava entrada aos trabalhos, tinha até mesmo uma ou duas piadas automáticas no seu arsenal. E pensava.
Estava agora, portanto, com uma dívida de uns seis meses de trabalho em dois cartões. E gastara esse dinheiro todo em jantares, motéis, agrados. Com ela. A paquerinha que sabia fazer passavelmente bem, mancadas incluídas no pacote. E a moça parecia, nestes últimos tempos, indicar que o melhor dele já passara. Que ele era apenas o suficiente, por enquanto.
- Senhor Fred, atenção ao balcão!
Esses comandos estilo sargento da tropa eram do gerente, Eduardo, uma mistura meio esquizofrênica de chefe exigente e amigo descontraído nos momentos de menos serviço. Davam a todo o trabalho o tom exato de se trabalhar num barco, vindo mesmo daí os raciocínios navais que há pouco tempo ele tentava associar ao país.
Realmente, o balcão demandava um pouco mais de atenção. Fred voltou ao modo consciente.
quinta-feira, maio 07, 2009
segunda-feira, agosto 25, 2008
Vote no que precisa, mais nada
Nessa época maravilhosa em que vivemos, em que todos podemos falar sempre, mas nem sempre ter público... Escolha o seu candidato.
Mas pense bem, eu sei que o jargão é óbvio. Mas pense mesmo.
Político não é vegetal, a cara mais bonita não deve ir pra sua casa. Todo mundo que se candidata reforça um ponto fraco, e os mais arrumadinhos são aqueles que não sabem casar um par de meia. Político que usa terno completo no Rio de Janeiro, por exemplo, não anda na rua, que se andasse tava de cuecas nesse calor. E chupando um Chicabon, com certeza.
Político que aparece de camisa de manga dobrada, tá querendo mostrar que trabalha. E não trabalha, veja o Lula na campanha dele.
Político com site é coisa moderninha, bacana, mas domínio .COM.BR, é pra comércio. Veja por exemplo o candidato a presidente dos Estados Unidos, o esquerda liberal multicolorido Barack Hussein Obama (www.barackobama.com). E pelamordedeus, criem juízo de divulgar na porcaria do site sua plataforma em arquivo PDF e HTML.
Animação computadorizada na propaganda gasta tempo, e se pra voce isso parece ruim, pra eles é ótimo. São 4-5 segundos mostrando o que precisam (numero do candidato, partido, nome) sem apresentar proposta.
Candidato que vai reformar tudo, saude, educação, transporte, máquina estatal, praga de sogra, não vai fazer nada.
Candidato indicado por político de maior calibre não tem proposta nenhuma. Vai se dar bem com os amigos.
Pronto, minha paciencia de falar disso acabou... até outro dia.
Mas pense bem, eu sei que o jargão é óbvio. Mas pense mesmo.
Político não é vegetal, a cara mais bonita não deve ir pra sua casa. Todo mundo que se candidata reforça um ponto fraco, e os mais arrumadinhos são aqueles que não sabem casar um par de meia. Político que usa terno completo no Rio de Janeiro, por exemplo, não anda na rua, que se andasse tava de cuecas nesse calor. E chupando um Chicabon, com certeza.
Político que aparece de camisa de manga dobrada, tá querendo mostrar que trabalha. E não trabalha, veja o Lula na campanha dele.
Político com site é coisa moderninha, bacana, mas domínio .COM.BR, é pra comércio. Veja por exemplo o candidato a presidente dos Estados Unidos, o esquerda liberal multicolorido Barack Hussein Obama (www.barackobama.com). E pelamordedeus, criem juízo de divulgar na porcaria do site sua plataforma em arquivo PDF e HTML.
Animação computadorizada na propaganda gasta tempo, e se pra voce isso parece ruim, pra eles é ótimo. São 4-5 segundos mostrando o que precisam (numero do candidato, partido, nome) sem apresentar proposta.
Candidato que vai reformar tudo, saude, educação, transporte, máquina estatal, praga de sogra, não vai fazer nada.
Candidato indicado por político de maior calibre não tem proposta nenhuma. Vai se dar bem com os amigos.
Pronto, minha paciencia de falar disso acabou... até outro dia.
sexta-feira, agosto 15, 2008
Mocreatina e Bruacalase - e sua atuação na produção de gosmo
| Uma portadora de excessiva quantidade de mocreatina se apresenta no "Bulgarian Idol", cantando Ken Lee, canção atribuída à Mariah Carey[1], aparentemente com letra de Fred Flintstone. Note o olhar fixo, a atitude convicta e o porte "geladeira" da paciente. |
Uma visão objetiva
A mocreatina e a bruacalase são substâncias hipotéticas, presentes especialmente em seres humanos. É possível detectar os efeitos de cada uma delas, apenas observando o paciente. Felizmente, não é necessário despir para realizar o exame.
Ocorre muita confusão no meio leigo sobre os efeitos das duas substâncias. Principalmente pelo fato de que muitos pacientes possuem altas taxas de ambas, mas ignora-se a possibilidade do paciente apresentar taxas sob controle de uma, e a outra se encontrar em altos patamares.
O vídeo acima apresenta uma paciente portadora de níveis incontroláveis de mocreatina. A saturação foi tão elevada que neutralizou mesmo as altas doses de Simancol aplicadas. Durante a crise, a paciente conseguiu eliminar as barreiras de auto-julgamento, tendo tempo inclusive para se inscrever no programa de televisão, se maquiar e vestir para o evento e, sem o menor receio das consequências, atacar centenas de pessoas ao mesmo tempo.
Todo o quadro corresponde a um surto consistente de mocreatina, que já se documentou capaz de atacar o paciente durante semanas seguidas sem sinal de diminuição dos efeitos. Algumas características, entretanto, indicam a lenta ação da bruacalase: o porte físico, o cabelo em forma de "fritada de esterco", e a gordura de papada.
Suas causas e efeitos
A produção de mocreatina parece ser de origem congênita, enquanto que a bruacalase, mesmo que às vezes se manifestando na pré-adolescência, é adquirida pelo convívio social e a incapacidade do indivíduo de lidar com tal convívio.
Entende-se que cada indivíduo tenha uma versão particular do mundo, guiada pelas percepções captadas per se; entretanto, um indivíduo acometido de um surto de bruacalase percebe-se como único agente deste mundo, negando a qualquer outro indivíduo capacidade de discernimento à altura. O bruacalítico crônico julga o tecido social ao redor rapidamente, em geral de maneira a agredir esse mesmo tecido no processo, de maneira irreversível.
O perfil de atuação do bruacalítico gera vocação em diversas áreas atribuídas ao contato social direto, o que nos permite encontrar pacientes para pesquisa em setores muito específicos:
- órgãos do governo;
- polícia militar;
- bancários;
- chefias em geral.
[1] Verificou-se mais tarde, que na verdade o termo Ken Lee atribui-se a uma obscura arte marcial, desenvolvida pelo obscuro mestre Charles Chap-lee e seu discípulo Jet Li: seus ataques combinam diálogos mal interpretados e roldanas invisíveis (in Ashton & Tate, Rick Astley and the last Dragon: Foretold tales about the emptyness of modern human being and their behaviors on a bathtub - 1975).
sexta-feira, julho 18, 2008
Quadrinhos
É impressionante como o mundo dos quadrinhos tem a perder com o cinema.
Alan Moore - O homem repleto de idéias, o mais sacaneado roteirista dos quadrinhos... Monstro do Pântano, Constantine, A Liga Extraordinária, V de Vingança, Do Inferno, e deve ter mais uma porrada que eu não lembro. Mas em 2009 essa lista vai crescer: Watchmen está saindo.
Todos esses títulos se referem a filmes gerados a partir de roteiros de quadrinhos do Alan Moore.
Cada vez que ele, o homem, o mito, a lenda, escreveu alguma coisa para quadrinhos, uma legião estrangeira se mobilizava para as bancas para saborear as pérolas que se encontram em cada página. A linguagem é baseada muitas vezes na realidade das ações: grunhido é grunhido, por exemplo, e não um balãozinho "tenho que me recuperar..."
Sem mencionar que Moore sempre contava, especialmente, com o caráter humano para retratar os heróis. Em Watchmen, por exemplo, o grupo de super-heróis só tem dois personagens extraordinários. O público acostumado a ver supers em cada esquina demora pra se tocar, mas apenas dois personagens possuem superpoderes de verdade em toda a saga. O resto, como até mesmo um deles assume, é só "um bando de desocupados em roupas esquisitas".
O ponto é, ao ver a admirável Silk Spectre escapando de uma explosão, eu pude entender desde aqui, do trailer, que é só mais uma Liga Extraordinária (com tudo de ruim que veio disso, a se ver do filme...).
Depois eu tento continuar esse post, ainda temos Frank Miller pra comentar.
Alan Moore - O homem repleto de idéias, o mais sacaneado roteirista dos quadrinhos... Monstro do Pântano, Constantine, A Liga Extraordinária, V de Vingança, Do Inferno, e deve ter mais uma porrada que eu não lembro. Mas em 2009 essa lista vai crescer: Watchmen está saindo.
Todos esses títulos se referem a filmes gerados a partir de roteiros de quadrinhos do Alan Moore.
Cada vez que ele, o homem, o mito, a lenda, escreveu alguma coisa para quadrinhos, uma legião estrangeira se mobilizava para as bancas para saborear as pérolas que se encontram em cada página. A linguagem é baseada muitas vezes na realidade das ações: grunhido é grunhido, por exemplo, e não um balãozinho "tenho que me recuperar..."
Sem mencionar que Moore sempre contava, especialmente, com o caráter humano para retratar os heróis. Em Watchmen, por exemplo, o grupo de super-heróis só tem dois personagens extraordinários. O público acostumado a ver supers em cada esquina demora pra se tocar, mas apenas dois personagens possuem superpoderes de verdade em toda a saga. O resto, como até mesmo um deles assume, é só "um bando de desocupados em roupas esquisitas".
O ponto é, ao ver a admirável Silk Spectre escapando de uma explosão, eu pude entender desde aqui, do trailer, que é só mais uma Liga Extraordinária (com tudo de ruim que veio disso, a se ver do filme...).
Depois eu tento continuar esse post, ainda temos Frank Miller pra comentar.
terça-feira, julho 08, 2008
Think Geek
Claro, funcionam muito melhor quando você não precisa de uma foto bonita e uma frase espertinha embaixo...
Mas não fique amuado pensando que a ThinkGeek só faz produtos pra sacanear os outros. Eles trabalham bem direitinho também,
Para mostrar que o pessoal não está (só) brincando, temos aqui esse acessório indispensável e único: um hub USB que também distribui fita adesiva!
Ou ainda, para todas as situações em que você precisar informar e aderir as informações básicas: Uma fita com um painel digital!
sexta-feira, julho 04, 2008
Microsoft libera sistema operacional para download
O Singularity foi desenvolvido do zero por um grupo de pesquisa da Microsoft, que começou a trabalhar nele em 2003. Como não havia a obrigação de o sistema ser compatível com o Windows, o grupo teve bastante liberdade para inovar. Foi escrito quase totalmente numa versão estendida da linguagem C#. A Microsoft diz que o objetivo do projeto é criar novas tecnologias em linguagens de programação, compiladores e ferramentas.
O projeto envolve, também, alguma experimentação com arquitetura. Quase todos os sistemas operacionais atuais - incluindo Linux, Unix, Mac OS e Windows - têm sua arquitetura básica derivada do Multics, criado nos anos 60. O Singularity segue um modelo diferente. Segundo a Microsoft, cada aplicativo, driver de dispositivo ou componente do sistema roda num processo isolado por software, ou SIP. O sistema não permite que os SIPs compartilhem memória ou modifiquem seu próprio código. A comunicação entre SIPs é feita por um sistema de mensagens. O resultado, ao menos na teoria, é uma plataforma mais robusta e segura que o Windows.
O pacote que está disponível para download desde março é o RDK, kit de desenvolvimento e pesquisa. Ele inclui código-fonte, material informativo e ferramentas de compilação e teste. Está liberado para uso educacional, não comercial. Naturalmente, o Singularity não tem utilidade prática no momento, já que não existem aplicativos para ele. Além disso, não há interface gráfica e o suporte a dispositivos de hardware é bastante restrito. O software serve basicamente para estudo e pesquisa. Mas é razoável supor que a Microsoft esteja usando essa plataforma para desenvolver e testar tecnologias que poderão estar em futuras versões do Windows.
O projeto envolve, também, alguma experimentação com arquitetura. Quase todos os sistemas operacionais atuais - incluindo Linux, Unix, Mac OS e Windows - têm sua arquitetura básica derivada do Multics, criado nos anos 60. O Singularity segue um modelo diferente. Segundo a Microsoft, cada aplicativo, driver de dispositivo ou componente do sistema roda num processo isolado por software, ou SIP. O sistema não permite que os SIPs compartilhem memória ou modifiquem seu próprio código. A comunicação entre SIPs é feita por um sistema de mensagens. O resultado, ao menos na teoria, é uma plataforma mais robusta e segura que o Windows.
O pacote que está disponível para download desde março é o RDK, kit de desenvolvimento e pesquisa. Ele inclui código-fonte, material informativo e ferramentas de compilação e teste. Está liberado para uso educacional, não comercial. Naturalmente, o Singularity não tem utilidade prática no momento, já que não existem aplicativos para ele. Além disso, não há interface gráfica e o suporte a dispositivos de hardware é bastante restrito. O software serve basicamente para estudo e pesquisa. Mas é razoável supor que a Microsoft esteja usando essa plataforma para desenvolver e testar tecnologias que poderão estar em futuras versões do Windows.
sábado, junho 21, 2008
Mitologia Moderna 1: verde-culpa
Olá, pouquíssimos leitores!
Hoje começarei meus teoremas a respeito da civilização dos nossos tempos.
O tema de hoje é a criatura feita de culpa; o Monstro Verde que assume diversos aspectos em vários universos. Curiosamente, todos aparecem em quadrinhos.
Os jogadores de World of Warcraft (eu também sou) vão se lembrar que existem algumas referências para essa criatura. Ela se move meio arrastando, meio sem rumo... como a própria culpa.
Quem lia os quadrinhos do Monstro do Pântano (lá fora, Swamp Thing) sabe como ele atacava... qualquer semente no mundo faria para ele um corpo novo, e todo o verde do mundo estava interligado. Houve mesmo uma fase em que ele viajou pelo espaço!
Tal e qual a nossa culpa... A vemos refletida no olhar do próximo, como se um sinal secreto e sub sensorial nos identificasse para o próximo culposo.
O monstro do pântano de Alan Moore tinha um Parlamento das árvores, um grupo muito parecido com os ents de Tolkien, que administrava a ele idéias e ensinamentos de quando em quando... e o próprio Parlamento era feito de almas mais velhas, que já haviam peregrinado pelo mundo, e uma vez cansadas, iam até lá para deixar o mundo viver.
O Parlamento mesmo parece com a Igreja Católica. Embora não haja um papa, diversos cardeais comungam as informações de seu arauto e o orientam, quando não o julgam.
O indivíduo que se torna o monstro do pântano é geralmente um homem culpado. Ele faltou, ele falhou, pecou em alguma coisa.
Caso você ache que a culpa sempre se arrasta... pense melhor.
Muitas pessoas (em especial, homens também) lidam com a culpa de maneira irracional. Ficam irados quando são apontados como faltosos. Ficam irados quando confundem seus sentimentos – veja meninos de classe média vs. moças jovens em pontos de ônibus, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Ou quando seus limitados intelectos são postos à prova, e eles são obrigados a confrontar a que a realidade infelizmente não obedece a dogmas de suas cabeças: o Flamengo nem sempre ganha, nem sempre só eles gostam da mesma mocinha, 3 gramas de cocaína não deixou ele tão forte assim, etc.
Como todos os meus outros posts, esse está sujeito a mudanças posteriores. Ainda mais que escrevi no meio de uma madrugada. Como quase todos os outros. Fiquem ligados para mais idéias sobre a mitologia moderna... No próximo pedaço, mortos-vivos. Eu acho.
quinta-feira, junho 19, 2008
Achmed, the movie
Confirmado: Arnold Schwarzenegger, meu xará, assinou o contrato para fazer o mais novo blockbuster! Achmed - the Terrorism is Dead, será gravado no deserto do Mojave. O contrato foi celebrado durante a recuperação do Governador do Futuro de uma cirurgia no fêmur, que se quebrou durante uma sessão de esqui.
Ele brincou com a situação, alegando que sua internação já o faz se sentir no papel de Achmed.
quarta-feira, junho 18, 2008
Estuda, desgraçado
Eu acredito que temos jeito, nós humanos e nós brasileiros principalmente.
Vamos acabar achando um jeitinho de acordar e assumir nosso papel de ponta como líderes mundiais.
Mas antes desse mundo idílico acontecer, o que pode ser daqui a quinze ou quinhentos anos, eu sugiro sempre a Habilitação de Paternidade® para tentar ajudar nos próximos passos. Além de outras coisinhas que nos fazem falta numa sociedade realmente produtiva.
Habilitação de Paternidade® - Todo humano do sexo masculino deveria passar por uma série de exames, como a Habilitação de Motorista, para poder continuar se relacionando. Os exames incluiriam a escolaridade do próprio sujeito, sua capacidade de obter provento, rudimentos de pedagogia e conhecimento de métodos contraceptivos e sexo seguro, entre outras coisinhas. A idéia é que no começo de toda relação a mulher peça essa Habilitação e confira se está sendo regularmente atualizada. O macho em condições de reprodução pagaria uma porcentagem do salário mensal (pequena, coisa de 5%) para a instituição que libera a habilitação e com isso asseguraria proventos para prováveis rebentos em caso de dificuldades súbitas (desemprego, doença, óbito...), liberando assim o provedor de pagar pensão.
Centros Recreativos - Além dos convencionais, temos que prover centros para fornecimentos de drogas recreativas. Encurtam a vida, e tal, mas a pessoa que realmente quiser viver esse estilo de vida precisa poder optar com segurança relativamente maior que a de hoje. E viver isolada. Aos que acham que oferecer uma vida de maior risco para a população é maligno da parte do Estado, eu lembro que a profissão de policial é muito mais prejudicial ao corpo, à mente ou à moral do profissional e dos que convivem ou são atendidos por ele do que isso.
Aguarde novas idéias em breve... aceito discussão sobre esses temas. Afinal, estamos na situação em que estamos por falta de debate.
O mais engraçado é que eu sempre começo um post pra falar de uma coisa, e outra vem na frente pra me enrolar. Ia comentar aqui que ainda me choca a atitude do Ministério da Educação com relação aos jovens que são educados pelos pais em casa. Os guris tem mais curriculo escolar que qualquer colégio, e o Ministério puxa uma lei nojenta das dobras fedorentas e impõe uma multa aos dois. E ameaça tirar a guarda das crianças!
Porque? Porque as crianças tem a obrigação de estudar em algum colégio. Os pais dessas crianças, segundo o entendimento de alguém que pensa com a concha de feijão, estão cometendo abandono intelectual.
Você mora num país assim, desgraçado leitor.
Vamos acabar achando um jeitinho de acordar e assumir nosso papel de ponta como líderes mundiais.
Mas antes desse mundo idílico acontecer, o que pode ser daqui a quinze ou quinhentos anos, eu sugiro sempre a Habilitação de Paternidade® para tentar ajudar nos próximos passos. Além de outras coisinhas que nos fazem falta numa sociedade realmente produtiva.
Habilitação de Paternidade® - Todo humano do sexo masculino deveria passar por uma série de exames, como a Habilitação de Motorista, para poder continuar se relacionando. Os exames incluiriam a escolaridade do próprio sujeito, sua capacidade de obter provento, rudimentos de pedagogia e conhecimento de métodos contraceptivos e sexo seguro, entre outras coisinhas. A idéia é que no começo de toda relação a mulher peça essa Habilitação e confira se está sendo regularmente atualizada. O macho em condições de reprodução pagaria uma porcentagem do salário mensal (pequena, coisa de 5%) para a instituição que libera a habilitação e com isso asseguraria proventos para prováveis rebentos em caso de dificuldades súbitas (desemprego, doença, óbito...), liberando assim o provedor de pagar pensão.
Centros Recreativos - Além dos convencionais, temos que prover centros para fornecimentos de drogas recreativas. Encurtam a vida, e tal, mas a pessoa que realmente quiser viver esse estilo de vida precisa poder optar com segurança relativamente maior que a de hoje. E viver isolada. Aos que acham que oferecer uma vida de maior risco para a população é maligno da parte do Estado, eu lembro que a profissão de policial é muito mais prejudicial ao corpo, à mente ou à moral do profissional e dos que convivem ou são atendidos por ele do que isso.
Aguarde novas idéias em breve... aceito discussão sobre esses temas. Afinal, estamos na situação em que estamos por falta de debate.
O mais engraçado é que eu sempre começo um post pra falar de uma coisa, e outra vem na frente pra me enrolar. Ia comentar aqui que ainda me choca a atitude do Ministério da Educação com relação aos jovens que são educados pelos pais em casa. Os guris tem mais curriculo escolar que qualquer colégio, e o Ministério puxa uma lei nojenta das dobras fedorentas e impõe uma multa aos dois. E ameaça tirar a guarda das crianças!
Porque? Porque as crianças tem a obrigação de estudar em algum colégio. Os pais dessas crianças, segundo o entendimento de alguém que pensa com a concha de feijão, estão cometendo abandono intelectual.
Você mora num país assim, desgraçado leitor.
sexta-feira, junho 13, 2008
Leila Lopes e os zumbis mecânicos
Ok. Eu não sei vocês, mas eu tinha tara na professorinha do Rei do Gado.
Eu sempre me liguei em estética. É de conhecimento até da Wikipedia que eu tenho dois Van Dammes no lugar dos deltóides. Mas quem diria, todo saradão desse jeito que eu sou, com meus pentíceps desenvolvidos, atores especialmente convidados para habitar meu abdome... Sinto às vezes uma certa falta do meu viço juvenil.
Mas se entupir de plástica... arrrh
quinta-feira, junho 12, 2008
Dia dos namorados
Um dia chatinho pacas quando a gente tá solteiro...
Pior, numa seca absurda.
Nem um cheirinho de menina, nem uma voz macia no telefone, nem nada.
Mas tudo bem, namorar é gastar dinheiro, então deixa que eu tô duro mesmo...
E tenho um plano.
Não posso me esquecer que tenho um plano ao qual me ater, e infelizmente, dadas as circunstâncias em que me coloquei por conta de loucuras no passado, o plano não me permite nem pequenos excessos. Tenho que aguentar sem choro.
Uma vez, eu ouvi um cara falando que uma relação tem 3 pedaços:
convivência, intimidade e contato físico.
Sinto falta dos três, claro, mas pro último tem solução... Já ouviu falar de casca de banana? Andei descobrindo cada maluquiiiice...
Bom, deixa, né? Você que tem a quem, faça o que puder. Boa sorte.
Pior, numa seca absurda.
Nem um cheirinho de menina, nem uma voz macia no telefone, nem nada.
Mas tudo bem, namorar é gastar dinheiro, então deixa que eu tô duro mesmo...
E tenho um plano.
Não posso me esquecer que tenho um plano ao qual me ater, e infelizmente, dadas as circunstâncias em que me coloquei por conta de loucuras no passado, o plano não me permite nem pequenos excessos. Tenho que aguentar sem choro.
Uma vez, eu ouvi um cara falando que uma relação tem 3 pedaços:
convivência, intimidade e contato físico.
Sinto falta dos três, claro, mas pro último tem solução... Já ouviu falar de casca de banana? Andei descobrindo cada maluquiiiice...
Bom, deixa, né? Você que tem a quem, faça o que puder. Boa sorte.
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Atualização
Na última vez que escrevi neste blog, estava me despedindo de Denise. Uma vida inteira pensando se poderíamos ficar juntos, e o tempo que t...
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A Anne Rice compartilhou esta matéria pelo Facebook, e decidi traduzir. Notem que não sou tradutor profissional, estou apenas oferecendo o...
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O sentimento de novo mestre da humanidade foi sumindo nos dias que vieram, e foi dando espaço a um sentimento de execução iminente. Ia doer?...