quarta-feira, junho 20, 2012

Pára esse táxi que eu tô perdendo honra!

Eu nem conseguiria imitar o jeito que meu amigo fala. Eu só sei dele que é o estúpido mais gentil do mundo. E que tudo que ele fala tá sempre um pouco mais pro lado esquisito do que você esperava.
Enquanto bons amigos dizem

Eu e meu amigo, que eu batizei de Ryu, mas já foi Mozart com bermuda havaiana, falamos assim
e não tamos nem aí.

Quem não gostou, que durma no beliche de baixo.

quarta-feira, junho 13, 2012

Educação e você, nada a ver

Encontrei essa citação do Chris Hedges no Facebook,
e resolvi adicionar como primeiro recadinho do chalkboard.
Li essa citação do Chris Hedges, e tomo a liberdade de citar a minha própria tradução pra fazer alguns comentários.
Compramos a idéia de que educação é sobre treinamento e "sucesso", definido monetariamente, mais do que aprender a pensar criticamente e questionar.
Quando ele fala que nós compramos, é isso mesmo, o primeiro problema com a educação é que toda ela virou uma compra de conhecimento. Eu compreendo que existe a necessidade de se pagar pelo estudo, e aceito que uma instituição de ensino precise funcionar com dinheiro. Mas não entendo o abandono que o processo de pensamento apresenta nos dias de hoje.
Não podemos nos esquecer de que o principal objetivo da educação é produzir mentes, não carreiras.
Com tantas diversidades no pensamento hoje em dia, seria de se esperar que a matriz básica, o feijão com arroz de todos os estabelecimentos de ensino fosse produzir em nós as dúvidas. Como ter dúvida, como debater as dúvidas, como encontrar respostas. Muitos problemas que passamos no dia a dia seriam muito fáceis de se superar com a tolerância gerada pelo verdadeiro diálogo.
Uma cultura que segue atentamente a interação vital entre moralidade e poder,
Porque nós ficamos obcecados, e faz tempo, com o progresso da capacidade de registro e o regresso do conteúdo. Pensa nisso assistindo A Fazenda, o BBB, o Brasileirão ou a classe média se assassinando.
que confunde técnicas de gerência com sabedoria,
Pense bem, porque afinal existe uma faculdade de Administração? Quando você vira Administrador do Comitê Gestor de Gerências, isso melhora qual parte daquilo que você é?
que falha em entender que a medida da civilização é sua compaixão
 E isso infelizmente não significa fotos de gatinho com mensagens legais, juro, isso tá mais pra prestar atenção nas coisas que você faz.
e não sua velocidade ou habilidade para consumir, condena-se à morte.
Super bacana você ter conteúdo visível no google, porque tem resenhas bacanas sobre produtos, e aí poder anunciar no seu espaço porque tem audiência o suficiente, mas em que exatamente isso melhora o ser humano que você era?

quarta-feira, abril 18, 2012

seu Mendes.


Quase esqueço de contar essa:
Tava ontem conversando com seu Mendes, esse camarada que vejo menos do que gostaria, e falávamos de um amigo em comum, o Paulo Neo, filho do Gaúcho.
Eu aqui com o ligamento rompido, dizia, e me sentindo meio diminuído por causa disso, contava ao seu Mendes que fui comentar isso com o Neo, e ele me responde que tem os dois ligamentos cruzados rompidos, há anos, só incomoda um pouquinho. Falei sobre como o Neo é um exemplo de força, bravura, coragem. Apesar de, de vez em quando, isso levar nosso amigo a acidentes fabulosos, mas isso não importa, só reafirma o que podemos ver. Dizia ao Mendes que achava o Neo um exemplo a ser admirado. Bem mais que eu, por exemplo, underachiever como me sinto regularmente.
Seu Mendes me encarou com aqueles olhos verdes, aquela chama inextinguível dentro dele, e me disse, "mas você é um exemplo, também. Um exemplo de amizade."
Vocês todos têm que ter a oportunidade de conhecer, um dia, seu Mendes. Algumas colocações dele, durante a conversa, são colocadas de maneira lapidar. É como se todo ele estivesse naquela frase em especial. E foi com esse tom que ele me encarou, e disse o que citei acima. Lapidar. Firme.
Eu não estava esperando. Esse comentário calou lá no fundo do meu coração.
Pior ainda, tinha que subir ao apartamento para resolver uns pequenos assuntos, pouco importantes porém urgentes. Tive que me despedir às pressas do seu Mendes, lágrimas correndo pelo rosto.
Ah, seu Mendes. Obrigado. Sei que você dificilmente vai ler estas linhas toscas, mas fica aqui meu agradecimento.

domingo, fevereiro 19, 2012

Fevereiro até aqui

As pessoas fazem um baita marketing desse negócio de entender o mundo pela bondade. Julga-se pelo luto, pela tristeza, julgar a tudo e a todos é fácil, só abrir o Facebook e tudo lá está.
Hoje, eu vou me expor a este julgamento.
Fazendo um rápido balanço desse mês, comecei rompendo o ligamento cruzado do joelho, usaram meu cartão de crédito na internet, clonaram meus cheques, a reforma da casa da minha mãe foi o dobro do esperado (tudo bem, sempre é, né). Estou de molho no carnaval, o que normalmente faço mesmo, mas desta vez esperando a perna dar uma melhorada enquanto avalio se vou operar ou não. Provavelmente não tem jeito. Uma ex namorada deu pequenos peripaques inexplicáveis.
Mas olhando pelo lado bom, estornei as compras indevidas com o cartão, estornei os cheques clonados, tenho alguns bons amigos com que contar, ganhei um PS3 com Skyrim e Fallout 3, tô quase terminando meu tratamento dentário radical e doloroso, tenho uma namorada fogosa que me adora...
E, mais importante, minha avó morreu.
Vamos lá, transeuntes, julguem à vontade. Me olhem feio. Sou abominável, estou em júbilo porque minha avó passou um ano sofrendo e morreu. E acrescento, foi é pouco. Quebrou a perna e passou um ano esperando a pressão regular pra poder operar, não deu, o calcanhar necrosou. E digo, de novo, foi é pouco.
Regularmente, sou ateu. Como qualquer pessoa, tem horas que a coisa enrosca e não dá pra explicar, sinto que tem um poder maior, uma força, não tenho erudição pra explicar, mas parece que às vezes sinto que faz sentido contar com um Deus. Essa é uma hora dessas. Quero que Deus exista, pra que, existindo, tenha criado um Inferno, complexo como os são os pecados dos homens. E nesse apelo desesperado por um além-vida, espero que este tipo de Deus esteja encarando minha avó agora.
Eu tenho certeza que alguns conhecidos, ao ler estas linhas, se escandalizará. Se a estes pobres for dado o hábito da leitura, sugiro que procurem num sebo o romance de Agatha Christie, Cai o Pano. Ou preste muita atenção na descrição factível que Holmes dá de seu arqui-rival Moriarty.
Um inimigo que manipula joguetes para seus crimes, uma entidade por trás do mal, fertilizando a discórdia e as mágoas. Um inimigo de inteligência tão versátil, de domínios tão variegados, que a única assinatura de seus malfeitos é que eles não têm assinatura alguma. Essa era a minha avó.
E para aqueles que ainda se escandalizam com minhas palavras, digo que foi tarde: dois de seus filhos ela conseguiu enterrar, ambos com problemas emocionais tão sérios que, pela tristeza, ou como eu creio, pela torpeza dos atos de outrém, foram levados dessa vida antes da hora. Eu mesmo, que me levantei na última hora tantas vezes da vala de emoções perdidas, poderia ter sido uma terceira alma a cair pela vilania indireta dessa monstra. Minha mãe, primogênita dela, até hoje com o emocional tão abalado que não se sente bem em lugar algum, poderia ter sido mais uma. De uma longa lista.
Falem o que quiser, mas eu sei do que eu vi: uma família numerosa, partida em vários pedaços, calcada em ódio, irmãos se odiando, mães e filhos que não se falam mais até hoje, e aquela criatura lamentável, com um brilho enfeitiçado no olhar, em regozijo, sorrindo, no meio. Vivi com ela, na intimidade, e lembro claramente de ouvi-la por horas se gabando de quem ela tinha deixado colérico naquele dia, ou no outro.
Tenho a mesma inteligência que a dela, talvez não tão desenvolvida, e sei que poderia fazer o mesmo que ela fazia, infernizar os outros só pelo mesmo sentimento que uma criança aleijando um inseto: o poder. Ou a ilusão dele. Não importa, não caí, não me nivelei, e estou aqui dizendo, "vivi, mais que ela, melhor que ela, e sou amado".
Ela que se dane.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Paciência Acabando...

Mas então, né?
Continuamos a atender com carinho, mesmo o cliente mais dedicado ao esporte de aporrinhar nossos ovinhos.

***

"Moço, o mause que o senhor está vendendo aqui a duzentos reais está a cem reais aqui ao lado..."
Parabéns, madame, compre aqui ao lado, quer que eu diga o quê?
A madame sai satisfeita, depois de esfregar o mouse comprado na nossa carinha linda, e entra na loja de lingerie.
Desculpa, será que eu deveria ir atrás dela e dizer, "pare, madame, essa calcinha custa MUITO MAIS BARATO na Americanas, e seu marido não vai notar a menor diferença!" ?

***

Você muda de camisa aqui em Ipanema e o pessoal te trata diferente. Se você veste uma camiseta lisa, simples, as pessoas assumem que você é pobre, e precisa ser tratado com monossílabos. Se o senhor veste uma camisa social, com botões, o tratamento já muda, bem se vê.
Entendo, as pessoas em geral não gostam de pobre, e distinção social é uma coisa tão subjetiva que nem vale a pena se chatear com isso. Mas não parece justo a você, já que o morador de Zona Sul detesta pobre, que ele pare de imitar um? Vem aqui na loja, precisa de uma ajudinha, um favorzinho, só tirar uma dúvida. Tudo de graça, tudo pra poder escolher melhor o que vai comprar em outro lugar.
Aliás, desculpe, os pobres que eu conheço, na verdade, entram na loja sabendo o que querem, perguntam o preço, pagam na bucha (vá lá, às vezes pedem desconto e estão certíssimos) e saem da loja de informática sem nenhum drama na consciência.
Agora os ricos, acham que é uma graça entrarem na loja, fazem umas piadinhas ridículas, avisam de cara que não vão tolerar abuso, olham tudo, escolhem tudo, preço de tudo, e no final, a dúvida é se a gente vende lâmpada ou capa de celular.
"já tentou ver na loja de lâmpada se tem lâmpada?"

sexta-feira, novembro 18, 2011

Sra. Dafoe

Mãe, deixa o moço terminar a outra venda!
Estava agora com a equipe do canil Direnna aqui na loja conversando, explicando que nós somos uma simples loja de bairro, quando entra um casal simpático e sorridente, com várias perguntas amenas a fazer, mas o mais importante: disposto a gastar.
Sei que os amigos que acompanham outros blogs ficam com a impressão de que o atendente só está lá pra receber seu suado salarinho após hoooooras de conversa alegre e animada, mas eu tenho uma novidade incrível pra contar pra vocês: a gente precisa vender!
Enfim, encurtando que a hora tá passando rápido, no meio do atendimento do ca$al me entra uma mulher, que eu só posso definir como mãe do Willem Dafoe, aos brados, querendo um caaaaaboooaaam de enfiar no computadoaaaarrrm

Puta merda, viu. Depois eu falo mais, galerê.

Beijão.

sábado, novembro 05, 2011

Atenções e Atendimentos (espero que seja Parte I)


Pra começar o dia: chave na porta da loja, vem a simpática e mete (nove da manhã pelamorrrrr): "Oian, Você trabalha aquiahn?"
Sabe, aquela pessoa que mastiga o rabo das palavras?  Solta cada uma com um 'ahn' no final? Pois é, eu acordei cedo pra chegar na loja e atender essa fofura.
"É que eu tô procurandoahn um modem 3d. Você vendeahn?"
Eu imaginando aqueles smurfs gigantes do filme do James Cameron correndo pra cá e pra lá com um cubo incrível na mão, recomendei que ela procurasse o modem numa loja de celular. Que ela pedisse um aparelho de terceira geração que usa chip de celular para acessar as internets.
-
Uma série de clientes depois, um mais lindo que o outro, como por exemplo a simpática senhora que veio comprar dois CDs e comentou que nosso horário de abertura era muito tarde. Ela esteve aqui, fez questão de dizer, às 8:50 da manhã, e nós ainda estávamos fechados. Incrível a capacidade dela de entrar antes do horário de abertura da galeria.
Mas eu dizia, entra um camarada com umas folhas disciplinadamente grampeadas na mão. Ipanema's People é alérgico a Bom Dia, Como Vai, Por Favor, então não preciso dizer que chegou com aqueles ares de quem inventou a roda, a pólvora e o bilboquê na mesma tarde de tédio. "Vim aqui porque você entende!", declarou o estranho, juro, mesmo com toda minha falta de memória, nunca vi o cabra mais gordo. Fiquei olhando com cara de cachorro que caiu da mudança, sabendo que falar perto de maluco pode agravar os sintomas.
"Eu estou prestes a comprar", disse o ilustre, enquanto re-organizava os papéis no balcão, deixando que eu perceba que eram dois grupos de folha devidamente grampeados, um original e uma xerox, "um receiver... E preciso saber se mil e oitocentos reais é um bom preço".
Percebi pelo silêncio que realmente não ia escapar dessa fazendo personagem de cinema mudo. Respondi "senhor, o que é um receiver?" pra ver se o gajo se apercebia da grosseria de incomodar quem trabalha.
Ele parou pra explicar.
Explicou detalhadamente, listando equipamentos, características gerais, marcas e modelos, e no final disse que precisava de ajuda para pensar em uma oferta de um amigo, porque viu na internet pela metade.
Eu acho lindo cliente que entra só pra olhar. Ele é muito melhor que o miserável que entra na loja pra pegar consultoria. Ou fazer um divãzinho básico no 0800.

Como matar um técnico

Eu parei de dar aula, inclusive, porque um determinado sujeito me pegou uma noite de sábado (eu de jantar marcado com a namorada), pra correr na casa dele, urgentíssimo, pra - note bem - continuar ajudando ele com o MP4 francês. Na época, realmente era o último grito ter um MP4, mas a gente fica meio desencantado com essas besteiras depois de alguns anos de estrada. Ele fez questão de dizer que pagava pela urgência. Eu tomei nota.
O camarada já sabia que ia pagar pelo táxi, e por cada hora de atendimento, quando eu cheguei na casa dele. Ainda assim, fez questão de terminar de jantar sem me convidar. Fiquei de terno, em pé, num canto da sala enquanto ele e a irmã jantavam fingindo que eu era parte da mobília. Nesse mesmo canto, falei ao celular, desmarcando o jantar e tomando o cacetésimo esporro da minha vida. É, eu adoro a gandaia encantadora de ser técnico/instrutor.
Só para esclarecer, o cidadão me pagava para ouvir a pergunta dele, procurar no manual dele a resposta, e ler a resposta em voz alta. Juro. Instruções sobre um MP4. Sábado à noite. Juro.
Ele me dava uma olhada de cima a baixo, a cada dez minutos, enquanto perguntava se eu não tinha mesmo um arquivo de MP4 em algum bolso. O que demonstrava 1) o quanto ele prestava atenção no que eu dizia de verdade; 2) que eu era um mago digital que dava hadouken de arquivo; 3) que criatura miserável ele era.
Depois de quarenta minutos lendo historinha pra ele dormir (mesmo efeito), ele se deu por cansado da brincadeira e resolveu que ia me pagar. Surpresa, em cheque. Surpresa, querendo saber quanto davam quarenta minutos da minha hora habitual (R$ 30,00 na época).
"Amigo," expliquei ainda calmamente "eu estou há uma hora e meia aqui dentro da sua casa. Hoje é sábado à noite, eu cancelei um compromisso pessoal para atender o senhor em emergência, e além do táxi, o senhor me deve duas horas, de oitenta reais cada."
Você argumentaria comigo numa hora dessas? Ele tentou.
Eu estava de frente pra ele, encostado numa estante, e no começo da resposta dele, eu estiquei o braço pra trás e fechei os dedos na primeira coisa que coube. Eu realmente, juro, realmente ia matar o cara.  Minha mão estava fechada num objeto de metal qualquer e eu ia avançar pra cima dele, depois matar a irmã dele, e mais qualquer um que estivesse na casa.
No exato momento que estava passando o braço pra frente, pra armar o golpe, o pai dele apareceu no quarto, atrás de mim. Deu um sorriso conciliador, e ainda no sorriso, virou-se para o filho e suavemente disse: "filho, cale a porra da sua boca". Era um ator Global, mais tarde viria a ser candidato a alguma coisa, e com todo o carinho, com a voz suave que já tinha usadi pra seduzir Tonias Carreros, Cristianes Torlonis, Suzanas Vieiras e outras que tais, ele singelamente resolveu a extensão de tempo de vida do filho. Nesse ínterim, eu olhava para minha própria mão e analisava a arma do quase-crime: uma miniatura de kombi, branca e azul.

domingo, junho 19, 2011

Ela

Já esteve aqui alguns anteontens. Morou um pouco na minha cabeça, um pouco no meu coração e se mudou para onde a vida dos outros se muda, depois que somem. Lá, ela cuidou com todo o carinho dela mesma, mas não deixou de ser si mesma, nem sofrendo nem gozando. Que nem eu, acho, mas eu falho às vezes. Aqui e ali.
Importante mesmo é que ela voltou. De toda a terra de Ausência, ela voltou com histórias, cicatrizes, aquilo que todos temos depois de algumas peregrinações. Forte como sempre.
Dá a cada dia sua força, de cada dia tem o que é seu, e vive sua vida em paz.
Agora, aqui. Em mim.

quarta-feira, abril 13, 2011

Branca da net e os 7 linux


Por Teo Ruf Ools

Era uma vez.
Um dia de péssimas conexões, onde se conectava e caia, em uma vasta rede de comunicações tudo era possível de acontecer.
Bits vão, bites vem. Branca da net logava-se em seu netbook, e no quarto ao lado estava sua terrível madrasta, com a morte de seu pai a branca da net passou a ser cuidada pela sua madrasta, que logo seria sua terrível inimiga. A madrasta tinha mania de beleza e todos os dias se logava e repetia a mesma frase “Google, Google meu existe netbook melhor que o meu?” e as resposta sempre era a mesma: “Sua pesquisa - netbook mais rápido que o da madrasta - não encontrou nenhum documento correspondente.”.
Mas um belo dia “Google, Google meu existe netbook melhor que o meu?” e a resposta não foi muito boa “O Google encontrou um resultado para netbook mais rápido que o da madrasta: ‘Branca de Neve com netbook Pentium i7”, e a rainha “nãooooooo seu traste, como pode ter um net tão rápido que o meu?” e o Google respondeu “sua verção de pentium 4 já esta ultrapassada minha senhora!!!”. A rainha então com muita raiva por ter perdido seu posto decidiu acabar com sua rival.
Enquanto isso branca da net estava em seu Orkut e e-mail. Quando de repente recebeu um spam que dizia “acesse suas fotos, e verás sua grande inimiga e que quer te assassinar! Pois você é a detentora do processador mas rápido”. Sem entender branca da net desconecta seu netbook e sai correndo floresta a dentro, quando de repente  avistou um casinha no meio da imensidão da floresta e sem saber de quem era aquela pequenina casinha ela adentro.
A noite foi caindo, o sono foi chegando e branca da net adormeceu, e os donos da casinha voltarão de um dia exaustivo de processos e construções de bancos de dados. Quando chegaram em casa viram uma bela moça deitada em uma das pequenas camas. Assustados os linux, foram chegando perto da linda mulher. Trataram de acessar sua pequena rede wi-fi e rapidamente descobriram que a linda mulher era na verdade a princesa da cidade de Microsoft, filha do rei Bill Gates.
No castelo, a rainha começou sua busca por um assassino cruel e encontrou no Vale do Silício, o senhor Cavalo de Tróia, prometendo jóias, se o mesmo acaba se com sua enteada, e o Cavalo de Tróia foi atrás da princesa. Dias de buscas sem sucesso.
Na casinha, branca da net acordara e descobriu que não estava só: seus anfitriões os pequeninos linux a observavam dormir, então eles se conheceram. Alguns dias depois a princesa resolveu ir ao chipset para colher informaçãs quando finalmente o sr Cavalo de Tróia a encontrou e disse para ela “princesa, vim aqui para mata-la” mas intrigado por sou aura de norton que jamais viu no Vale do Silício. O sr Cavalo de Tróia não teve coragem para matá-la, mas como tinha que levar provas de que tinha cumprido as ordens da rainha ele decidiu “não vou fazer essa crueldade”. Guardou o pen drive, tirou do bolso um pentium i7 e disse ”Vou entregar esse, como se tivesse arrancado do seu equipamento”.
Voltando para casinha Branca colocou seu computador para carregar e ligou-o na internet. Fez a conexão com o provedor Oiiiiiiiiiii.com e entrou numa sala de bate-papo. Conversa vai, conversa vem, ficou um tempão papeando e em busca do nick de Príncipe.
Enquanto isso... no castelo da rainha, chegava um e-mail dizendo que o Sr Cavalo de Tróia havia cumprido o que prometeu pois era muito poderoso. Desconfiada a madrasta rainha tratou de certificar-se que ele tinha cumprido a missão, mas nada daquilo era verdade: o Sr Cavalo de Tróia tinha tentado enganar a rainha e o que lhe mostrou a ela foi na verdade objetos dele mesmo. “Você me enganou! Viruz traidor”. Tome pipipipipipipi fez uma magia e o coitado do vírus virou bateria CR-2032. A rainha então pensou “vou acabar de vez com  aquela safada, sem-vergonha e nojenta. Vou achá-la e acabar com ela! No google maps a rainha “Ah! Conseguirei encontrá-la!”.

Próximo a casinha e retornando depois de um dia exaustivo os 7 linux cantavam, “Eu vou, eu vou, pro data mining agora eu vou, pararatibun, pararatibun, eu vou, eu vou, eu vou, eu vou”
Já em casa “dungaaaaaaaaaa! Cadê meu Blastoise” kkkkkkkkk gesticulando ele expressava, quem não mexera na Blastoise. Atchiiiiiiiiiiiiiiiiiii vire a mão spytchi então foi você! Atchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. O Zangado, que não tinha papas na língua, logo foi dizendo foi ele mesmo o spytchi, e que não queria confusões.
No dia seguinte voltando para a empresa onde trabalhavam fo facebook e procupados pela princesa. Desenvolviam um meio de bloquear a rainha, No Chat e princesa conversa-va enquanto o príncipe não entrava então deixou um recado para ele. Depois de procuras no maps a rainha achou a branca “Ah! Finalmente a encontrei. Amanhã me transformarei em Vendedora de inforMaçãs e vou dar à Branca uma informaçã cheinha de viruz para aquela vigarista. E destruirei seu i7 hauahahauaha”.
Na manhã seguinte.
Branca da net finalmente consegue conversar com o Príncipe! Era meu bem pra lá, meu amor pra cá. Estava rolando um clima! Opa vai rolar cam
Toc, toc, toc.
Droga quem esta hora quer me atrapalhar. Oi Branca. “Quem é a senhora?”
– Sou a Vendedora de inforMaçãs fui enviada pelos seus amiguinos do facebook para melhorar o desempenha ainda mas de seu netbook. Basta aceitar esse aplicativo, clicar na informaçã e...
Depois da atualização seu net acabou dando tela azul e não voltou mais, perdeu conectividade com o príncipe, deu vários erros, e com isso, a pobre Branca teve um piripaque e caiu dura no chão, de camisola e tudo.
No castelo “Google, Google meu, existe netbook melhor que o meu?” e as resposta “Não minha rainha, você e a tem o net mais rápido do mundo”. Oooo deliciaaaaa!
Então o príncipe percebeu que seu amor virtual não entrava mas deseperado começou a pesquisar e ate se cadastro no facebook para encontrar sua princesa!
Na casinha os pequenos linux acharam o net e a princesa no chão ela estava em um sonho profundo, quando Zangado resmungou “que mulherzinha mas frescurenta! eu empresto meu pc 100 a ela, precisava disso? E agora o que faremos?” e vários dias dormindo no seu teclado e com o mouse em sua mão Marck da Soneca acordou e disse “ ela tem que ser acordada por que a ama” e começaram a sua busca incansavel pelos fóruns.
Do outro lado da linha o príncipe se conectou a rede social e por coincidência conversou com um dos administradores da rede um linux, “Sr linux, tenho como rastrear uma usuária com nick de Branca da Net?” então o dengoddr3 pergunto “o que vc é dela?”, “eu a amo, e quero achá-la” então o linux deu-lhe as coordenadas.
E o príncipe foi atrás de sua amada, ele encontro a pequena casinha, entrou porta a dentro e logo viu sua amada deitada naquela caminha minúscula, escondidos os linux observavam. Ele se direciona a ela e então beijo-a, e dengoddr3 falou” hoje temmm”. A princesa acordou.
Sabe-se que q rainha foi hackeada, provavelmente pelos pequenos linux seu netbook foi totalmente destruído, com isso ela perdeu seu encanto, e logo descobriram que ela que havia envenenado o rei Bill Gates. Com sua poção Windows vista, a princesa e seu príncipe retornaram ao castelo e seu pequenos amigos se tornaram os maiores da rede social o facebook estava decolando já que tinham um amenos pois marckdasoneca (Zuckenberg), so sabia dormir.
E todos viveram felizes para sempre... bom quase, que lá vem o Windows 7!
kkkkkkkkkkkkkkkkk

Só um comentário: o autor desse conto maravilhoso é meu colega de loja, eu só precisei espalhar isso aqui para todo mundo, porque esse nível de criatividade tem que ser incentivado a rodo!!!!

domingo, outubro 24, 2010

Amor Dói: Renascimento (2)

Enquanto andamos mais um pouco pelos corredores, contei minha história àquele homem tão solícito, e ocasionalmente ele me interrompia, mas só pra tirar dúvidas. Nos alojamos no morgue, e fui vendo que ele procurava entender melhor as motivações da Ariana, e me surpreendi às vezes defendendo, às vezes criticando as atitudes dela. O plantão dele estava bem devagar mesmo, porque não fomos interrompidos em momento nenhum, exceto por um choro de mulher, ocasionalmente. Fiquei imaginando quando seria o horário de "alto tráfego" naquele ramo de trabalho. Terminei minha história, naquele momento em que fui salvo por ele.

Zé Pedro se aprumou, estava encostado nas gavetas. Durante minha história, andara por toda aquela espaçosa sala de autópsia, ajeitando os instrumentos, limpando mesas, e agora parou. Acendeu um cigarro, matutando, e disse, "você pretende seguir essa promessa?". "Claro", respondi, "é importante que esse tipo de coisa deixe de acontecer, e a gentileza pode mudar o mundo de muita gente".

A sala era iluminada também por uma generosa clarabóia, cujas telhas de vidro do meio eram de um branco leitoso, e as das bordas eram verdes. Naquele finzinho de tarde, o legista ficava com uma luz verde-claro se impondo sobre ele. Aliás sobre tudo ao meu redor, e me imaginei sendo visto por ele em lamúrias verde-claro de adolescente. Daquela imobilidade enfumaçada, Zé Pedro parecia estar sopesando sua própria consciência.

Ninguém olhava daquele jeito, especialmente para mim. Fiquei fascinado demais para interromper os devaneios dele, e não sei dizer quanto tempo isso durou.Então, aquele homem esculpido em esmeralda subitamente voltou a se mexer, ainda com o cigarro a meio caminho do fim. Ficou ereto e me pediu que abrisse a gaveta 5-E.

Olhei para a fileira de gavetas onde se guardavam os corpos. E tornei a olhar para ele. Entendi o que ele disse, mas não entendi o que significava essa autorização. Ainda gesticulei, mais do que falei, um tímido "eu?", que ele confirmou com um meneio de cabeça aquiescente.

Olhei para a gaveta. A etiqueta com borda vermelha, onde a mão escreveu com cuidado o cinco e a letra E maiúscula, separados por um hífen determinado. A alça de metal veio facilmente, revelando o volume que um lençol branco guardava.

Zé Pedro apareceu em silêncio ao meu lado enquanto eu hesitava. Levantou um dos lados do lençol, revelando a cabeça e os ombros do corpo de uma mulher jovem.

A pele morena, além da genética, era bronzeada por repetidos banhos de sol. Podia-se notar pela marca de biquini nos ombros. Os cabelos negros, longos e lisos emolduravam o rosto sereno e de proporções convidativas. Os lábios estavam secos, gretados, mas compunham uma boca carnuda. O nariz, pequeno, seguia reto no rosto até formar uma delicada almofada para as narinas.

Sem que eu percebesse, Zé Pedro voltou a se encostar na maca de rodas travadas onde estivera fumando. Quando consegui vencer o magnetismo daquela mulher, olhei para ele.

Naquele momento, começava a sentir um impulso de indignação. Aos treze anos, não entendemos rapidamente expressões, ainda mais quando são mistas. Quando nossos olhares se cruzaram, ele disse, "a vida é triste, mas sabe contar piadas, não?" e continuou, já que meu silêncio era a única resposta que eu sabia oferecer, "uma linda moça, encontrada caída no chão, em Copacabana, chegou aqui um pouco antes de você. Não tinha documentos, só  alguns anéis e um colar. Vestia biquini, canga de praia, sandálias e não carregava bolsa."

Tornei a olhar para ela. Serena. Parecia dormir, não morta. Fiquei constrangido, porque o homem que falava comigo me salvou, mas também ia violar esse corpo que devia virar estátua. Não que ele fosse violar, tipo vilão de filme, mas o trabalho dele é achar a verdade. Anotar numa ficha o porquê dessa moça, cândida e bela, ter sido levada do mundo dos vivos ainda no frescor.

Hoje, entendo que Zé Pedro estava apenas tentando me contar a dureza do trabalho dele. As coisas que ele via, todos os dias, somavam um ângulo da vida completamente diferente daqueles que estamos acostumados. Naquelas macas iam e vinham as pessoas que determinavam o lado que o mundo girava, as pessoas que alimentavam as caldeiras, as que davam respeito, as que tiravam o respeito, todas. Todos nós. E ele estava tentando me contar a piada.

Mas naquele momento, eu vi uma criatura má. E estava diante de algo que, em contraste com a moça serena à minha frente, parecia crua, bruta, insensível. E meus hormônios de adolescente, pra cima e pra baixo no meu organismo, não me permitiam sintetizar em uma frase decente o que queria falar, não gritar, para essa critatura, esse Tanatos do Centro do Rio. A fala engasgava, eu estava indignado, Zé Pedro tentava entender o que acontecia, e a moça se mexeu na maca.

Ela se mexeu.


Foi uma ajeitada, como se estivesse dormindo nua apenas. Mas de repente, a sala de autópsia foi ficando mais escura, mais alta, e nem notei que bati com a cabeça enquanto desmaiava.

domingo, maio 09, 2010

Amor Dói: Renascimento (1)

Cruzando a rua dos Inválidos, que além da Mem de Sá também tem um encontro marcado com a rua do Rezende. Só o boteco embaixo do prédio novo estava aberto. Eu estivera me entendendo com a dor, e de alguma forma o sistema do meu corpo entendeu que teria de terminar a caminhada antes de conseguir socorro, por isso pude começar a pensar com um pouco mais de clareza. E a alma estava ferida.

Aquilo que acontecera estava há meses de distância. entendi que desrespeitei uma mulher, e isso não se faz. Paguei pelo que fiz, e nunca mais faria isso de novo. Toleraria com paciência todos os desejos, birras, beicinhos, manhas, tudo sem julgamento, pois se alguém precisa daquela retribuição pela qual passei, é porque o macho da espécie humana cometeu mais do que tinha direito em falta de cavalheirismo. Seria, dali, a paga de meu gênero: gentil, discreto e generoso com qualquer mulher.

Fui interrompido de meus devaneios por um esbarrão. Um senhor saía do boteco para atravessar a Inválidos, ainda passando à boca um guardanapo, e sem me ver ao virar, interrompeu meus passos, meu raciocínio, mas não minha promessa. Com uma voz grave e familiar, se desculpou enquanto me observava. A memória de ambos estava voltando ao mesmo tempo: era José Pedro, funcionário do IML, que me reconhecia.

Tentou falar comigo, e eu tentei responder, mas pela expressão de preocupação logo vi que devia estar apenas gemendo minhas respostas, quando me parecia estar sendo bastante claro. Me explicou que estava voltando de um lanche no meio do turno, e me perguntou se queria andar com ele até o Instituto. Disse que não podia. Tinha que ir pra casa.

João Pedro insistiu. Especialmente porque via-se que algo comigo não estava bem. Me concentrei pra ser o mais claro possível, e confiando numa discrição que não precisava esperar de estranho algum, contei a ele como realmente estava minha situação.

Seu comportamento mudou na hora. "Você precisa ver um médico logo. Ainda bem que eu sou um. Venha, me deixe ajudar você.", e sem mais cerimônia me apoiou nele, e me levou até o Instituto.

Que diferença de atitude, entre pessoas do mesmo ramo! Aquele urologista de toque feminino, voz falsamente mansa, o dr. Flávio com sua indiferença profissional, e o homem que agora só se apresentava como médico! Ele não me deixava fazer esforços com as pernas, realmente dando uma pausa para os puxões.

Passamos o vigia, e em seguida os corredores vazios até as salas de corpo de delito. Fora um ou outro parente esperando pelo pior, já desenganado, ninguém nos incomodou. Entramos na sala, onde ele limpou a mesa antes de me por sentado, e eu fui tirando a roupa lentamente. Depois que estive lá por causa de um cérebro, acho que não poderia ter ninguém melhor para me ver naquele estado vergonhoso.

Quando fiquei de cuecas, parei de me despir e me sentei na mesa de aço. Já via pontos de sangue. José Pedro entendeu e me ajudou com essa parte. Tirou a cueca, e removeu com cuidado o curativo, mas lentamente. Seu olhar era de um homem ocupado, e apesar da análise criteriosa, cautelosamente foi falando que não estava tão mau assim, com aquela voz que a gente às vezes quer ouvir em casa, de um parente calmo e protetor.

Ele pegou alguns produtos, e entendi que ia começar a lavar tudo para ver realmente e refazer o curativo. Encostei a cabeça no aço da cama, e só para me tranquilizar ele foi narrando o que estava fazendo. Daqui a pouco, soltou sem mais nem menos:

- Pena que não podemos dar queixa desse tipo de violência. Ela devia ouvir uma bronca do delegado, só pra tomar um rumo na vida.

O frio da mesa de aço, estar num lugar totalmente inesperado e sozinho, com um completo estranho, tudo isso que poderia me fazer sentir um medo inexplicável, naquele momento ficou de lado e eu só senti vontade de rir. E ri feito um bobo, como se tivesse escapado do pior desafio da minha vida com alguns arranhões. Ao levantar a cabeça vi que o curativo já estava trocado, e bem feito. José Pedro estava tirando as luvas e se afastando, para que eu pudesse me vestir.

- Doutor, não tenho como lhe agradecer, comecei a dizer, quando colocava o cinto.
- Pra começar, Zé Pedro é um jeito bem legal de me chamar. E faz parte do meu trabalho ajudar as pessoas em dificuldades.
- E que dificuldade infeliz, essa, comentei olhando de banda, com um sorriso triste.
- De fato, meu amigo. Gostaria de conhecer os detalhes dela, se ninguém estiver te esperando em casa. Espero não constranger você com esse pedido, mas o plantão de domingo é meio chato e seria bom ter um pouco de companhia pra esperar as horas passarem.

Olhou pra mim com jeito de troça.

- Afinal, já fizemos um mendigo dançar, certo?

Atualização

 Na última vez que escrevi neste blog, estava me despedindo de Denise. Uma vida inteira pensando se poderíamos ficar juntos, e o tempo que t...