sexta-feira, janeiro 03, 2014

Física Quântica prova que a morte é uma ilusão

A Anne Rice compartilhou esta matéria pelo Facebook, e decidi traduzir. Notem que não sou tradutor profissional, estou apenas oferecendo o que posso.

A morte é uma ilusão?

A maioria dos cientistas provavelmente dirão que o conceito de pós-vida é ou nonsense, ou no mínimo improvável.
Ainda assim um expert afirma que tem evidências para confirmar a existência após o túmulo – e elas repousam na física quântica.
O professor Robert Lanza afirma que a teoria do biocentrismo ensina que a morte tal como a conhecemos é uma ilusão criada pela nossa consciência.

Robert Lanza afirma que a teoria do biocentrismo diz que a morte é uma ilusão. Ele diz que a vida criou o universo, e não o contrário. Isso significa que espaço e tempo não existem do modo linear que nós fomos educados a acreditar que existe.
Ele usa o famoso experimento da dupla fenda para ilustrar este ponto. E se o espaço e o tempo não são lineares, então a morte não pode existir em um sentido linear, também.



Professor Robert Lanza, acima, com sua teoria explicada no seu livro Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe
‘Nós pensamos que a vida é apenas a atividade do carbono e a mistura de moléculas – nós vivemos um pouco e então apodrecemos no solo,’ diz o cientista no seu website.
Lanza, da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest no Norte da Carolina, ainda explica que como humanos acreditamos na morte porque ‘fomos educados para acreditar’, ou mais especificamente, nossa consciência associa vida com corpos e nós sabemos que corpos morrem.
Sua teoria do biocentrismo, no entanto, explica que a morte pode não ser tão terminal como nós pensamos que é. Biocentrismo é considerada uma teoria para o todo e vem do grego para ‘vida no centro’. É a crença de que a vida e a biologia são centrais para a realidade e a vida cria o universo, não o contrário.
Isto sugere que a consciência de uma pessoa determina o formato e o tamanho dos objetos no universo. Lanza usa o exemplo de como percebemos o mundo ao nosso redor. Uma pessoa vê um céu azul, e é dito que a cor que estão vendo é o azul, mas as células no cérebro de cada pessoa podem fazer o céu ficar verde ou vermelho.
Teoria de Lanza para o Biocentrismo e o além-vida
Biocentrismo classificada como uma teoria Unificadora e vem do Grego ‘vida no centro’.
É a crença de que a vida e a biologia são centrais à realidade e que a vida cria o universo, não o contrário.
Lanza usa o exemplo da maneira que percebemos o mundo ao nosso redor.
Se a pessoa vê um céu azul, é é dito a ela que aquela cor que ela está vendo é azul, mas as células no cérebro dela são modificadas é possível que ela esteja vendo verde, ou talvez vermelho.
Nossa consciência dá sentido ao mundo, e pode ser alterada para mudar esta interpretação.
Ao olhar para o universo de um ponto de vista biocêntrico, isto também significa que o espaço e o tempo não se comportam da maneira rápida e pesada que nossas consciências dizem que eles se comportam.
Em suma, espaço e tempo são ‘simplesmente ferramentas da nossa mente.
Uma vez que aceitamos que o espaço e o tempo são construtos mentais, isso significa que morte e a idéia de imortalidade existe em um mundo sem fronteiras espaciais ou lineares.
Físicos teóricos acreditam que existem um número infinito de universos com variações diferentes de pessoas e situações, tomando lugar simultaneamente.
Lanza adiciona que tudo que pode acontecer está acontecendo em algum ponto destes multiversos, e isto significa que a morte não pode existir em 
nenhum senso real, também.
Lanza ao invés disso afirma que quando morremos, nossa vida se torna uma ‘flor perene que volta a florescer no multiverso’.

‘Resumindo: o que você vê pode não existir sem sua consciência’ explica Lanza. ‘Nossa consciência dá sentido ao mundo.’
Lanza cita o teste da fenda dupla, representado na figura acima, para basear suas afirmações. Quando cientistas observam uma partícula passar através de duas fendas, a partícula atravessa uma ou a outra fenda. Se uma pessoa não está observando, ela age como uma onda e pode ir através das duas fendas simultaneamente. Isto significa que o comportamento é baseado na percepção do observador
COMO O EXPERIMENTO DA FENDA DUPLA SUPORTA A TEORIA DE LANZA
No experimento, quando os cientistas observam uma partícula atravessar através de duas fendas em uma barreira, a partícula se comporta como uma bala e passa ou por uma, ou pela outra fenda.
Quando uma pessoa não está observando a partícula, ela se comporta como uma onda.
Isso significa que ela pode atravessar as duas fendas ao mesmo tempo. Isso demonstra que matéria e energia podem apresentar características tanto de onda como de partículas, e este comportamento de partícula muda baseado na percepção e consciência do observador. 
A Teoria completa de Lanza pode ser lida em Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe.
----------------------------------------------- FIM DA TRADUÇÃO -------------------------------------------

Eu não consegui parar de me lembrar de um amigo meu, que resumiria esta matéria toda muito facilmente, exatamente por ser um surfista de corpo e de alma. Posso citá-lo em minha imaginação:
Cara a partícula fica lá fazendo o que você quer, mas se você não tomar conta, é que nem leite fervendo, maluco, ela fica de onda e pã.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Os oito tipos de clientes em balcão de loja

(texto traduzido do site do College Humor em http://www.collegehumor.com/article/6937594/the-eight-most-annoying-customers-at-your-retail-job)

Os oito tipos de clientes em balcão de loja
Como é que é? Você não tem o que eu estou procurando? Aquele que eu não liguei antes reservando?
Bem, então se EU SÓ AUMENTAR O VOLUME E A FÚRIA DE MEUS COMANDOS, ISSO VAI FAZER APARECER MAGICAMENTE O ITEM QUE EU QUERO.
AINDA NÃO? BEM SE EU COMEÇAR A FALAR AINDA MAIS ALTO E ACRESCENTAR UNS CARALHO DE PALAVRÃO ISSO PODE FUNCIONAR COMO INVOCAÇÃO SAGRADA PRA CONVOCAR O ITEM A PARTIR DO ÉTER SOMBRIO.
AH VOCÊ AINDA NÃO TEM?! BEM ENTÃO VOCÊ NÃO SÓ PERDEU UM CLIENTE, MAS TAMBÉM UMA PARCELA SIGNIFICATIVA DA SUA AUDIÇÃO E ESTÁ COBERTO PELA MINHA SALIVA.
Volto amanhã pra ver se apareceu no seu estoque.
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

Olá! Como você vai? Ah isso é maravilhoso. Sim, eu quero apenas esse pacotinho de chicletes hoje, que resumiria este encontro em quarenta e cinco segundos, mas eu estou faminta por atenção e conversa, e pelo olhar no seu rosto, eu posso adivinhar que você preferiria ouvir mais sobre minha vida.
Felizmente pra você este chiclete me lembra de um outro que eu comprava quando era criança, mas você sabia que este chiclete custava UM TOSTÃO. Agora que você claramente não tem idéia de que produtos de consumo sobem enquanto a economia cresce, eu vou listar mais dez coisas que custavam TÃO BARATO naquela época. Loucura né?
Você sabe o que mais é uma loucura? Meu marido! Ele já morreu, claro, mas isso não vai me impedir de te contar histórias sobre ele até o pessoal do asilo vir me buscar.
Os oito tipos de clientes em balcão de loja
Só esse pacotinho de fritas pra mim, por favor. Sim, vou pagar esses dois reais em cartão de crédito. Ih, agora que você acabou de passar a venda, acabei de me lembrar que quero uma latinha de refrigerante também! Ai como eu sou bobo... Passa o cartão de novo, por favor.
Cara que coisa, na verdade eu tenho essa lista de coisas pra comprar então você não se importa se eu pegar um por um e passar aqui pra pagar no cartão.
Pensando bem, eu não preciso dessa batata frita. Pode estornar a venda no meu cartão. Não, não quero dinheiro, estorna pra mim. Sim, eu tô me lixando pro tempo de todo mundo, meu inclusive.
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

É isso: este é o momento mais importante da minha vida. Eu tenho nas mãos DUAS barras de chocolate. Na minha mão esquerda, eu tenho uma barra de Snickers super deliciosa. Na minha mão direita, uma combinação de chocolate crocante e creme delicioso de um Twix. Como pode qualquer pessoa aguentar a pressão desta escolha? Reinos caíram e surgiram por menos que isso.
Como assim? Como você espera que eu preste atenção na cavalgada de compradores atrás de mim quando o destino de meu estômago está na balança? Meu amigo, essa decisão vai definir quanto de saciedade eu vou sentir pelos próximos vinte minutos PELO MENOS.
Peraí, vocês vendem paçoca? Eu tenho que desenhar um organograma.
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

Certo, agora que eu te dei os 37 itens da minha lista pra você somar, eu vou pegar minha carteira... peraí, cadê minha carteira? Eu sei que ela estava aqui no meu bolso há um segundo. Deixa eu gastar cinco minutos me revistando como segurança no estádio. Cara isso NUNCA aconteceu comigo, eu SEI que tá aqui em algum lugar. Talvez no meu sapato? QUem sabe no meu bolso de bochecha que nem um hamster?
Eu devo ter deixado no meu carro. Vou deixar tudo aqui pra ir até o carro e ver se está lá.
Não, não estava lá. Isso tudo é tão louco... Eu –ih olha, tá no meu bolso de trás! Haha cara, de vez em quando a vida é tão louca... Posso pagar tudo em moeda? deixa eu achar minhas moedinhas aqui...
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

E aí cara, como vão as coisas? Meio mole e pra esquerda? Hehe sacanagem, só uma palhinha pro amigo. Sei que é a primeira vez que a gente se vê, mas eu vou inventar uns dez apelidos pra você enquanto fico te cutucando e chamando tanto que você vai achar que eu tô tendo um ataque epilético. Tudo isso enquanto eu jogo um papinho de política velha e referências antigas de futebol que você nunca acompanhou. Legal, véio?
Agora, já que somos amigaços, você se importa se eu pagar em cheque?
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

Pô, isso aqui custa TRÊS REAIS?? Tá brincando? Acho que dá pra gente negociar isso melhor, né? Você aí no balcão com certeza tem poder de negociação, é o cara que faz os preços na loja inteira. Eu pago dois reais por isso, pra não perder a amizade.
Então tá, eu vou levar três desses por sete reais.
Tá certo, então. vou levar cinco desses por onze reais e te dou meu cartão de estacionamento com sorteio.
Meu camarada, quase me parece que você está desesperado o bastante pra me vender esse negocinho aqui, mesmo que isso custe seu emprego. Eu não respeito essa atitude. Dez desse negócio por catorze reais, e não se fala mais nisso.
Não? Bom agora que eu abri esse negócio e comi a metade, o valor cai, né? Pago um real pelo resto. Ainda são três reais? Bom, então eu derrubo tudo no chão! Ninguém vai querer comer doce do chão, então o valor cai também –pera, porque você chamou a segurança?
Os oito tipos de clientes em balcão de loja

Pelos poderes ancestrais do PROCOM, eu voltei hoje para me vingar de um atendimento levemente ruim que eu tive ontem. Sim, isso mesmo, eu estou insatisfeita porque a compra que eu fiz ontem eu fui bruscamente incomodada e eu tenho certeza que isso foi planejado para me aborrecer, especialmente contra mim!
Um reembolso? UM REEMBOLSO? Isso é doentio da sua parte, me enoja até a alma se você acha que um reembolso pode cobrir o dano que eu sofri naquelas horas terríveis. Os pesos da elação gerada pela compra bem sucedida, NEGADAS A MIM por um trabalhador desatento! Atente, ó peão de pequena paga: eu estive nesta manhã atingida por tremores de fúria e ódio, apenas levemente contidos por uma fina fachada de calmaria. Eu antevi a chegada dos Titãs...
Peraí, isso é um cupom-desconto? Ah então tudo bem. Nada de mais.

terça-feira, setembro 10, 2013

Amor Dói - meio de caminho

Algumas vezes, almoçava com meu pai.
Aquele escritório moderno, com lâmpadas fluorescentes e nada daqueles livros feiosos que apenas tinham lombadas falsas para guardar a bebida. A principal função do meu pai era conversar com pessoas que visitavam o escritório dele, então nada de muito suntuoso, mas ainda assim uma ou duas peças divertidas para distrair os mais tensos.
Me sentava numa mesa menor, levava meu dever de casa, e quando terminava ele me deixava mexer na máquina de escrever. IBM 6873. Eu achava ela uma peça de tecnologia dos deuses. Descobri uma vez que, por mais rápido que eu batesse nas teclas, ela conseguia escrever no papel cada um dos botões que eu pressionava. Eu comecei a tentar digitar adequadamente, sem bater ao acaso, mas o mais rápido que eu pudesse.
Numa tarde dessas, quando os bancos começavam a ficar mais vazios pelo advento do caixa eletrônico, eu estive com meu pai numa agência bancária. Eles tinham a mesma máquina numa mesa anexa à do gerente, onde uma moça muito bonita estava ocupada.
Rapaz, não tem como eu te dizer o que era bonito naquela época. Imagine que o melhor ar condicionado diminuía a temperatura lá de fora em cinco graus. Imagine que desodorante que durasse até depois do almoço "fazia milagres". Homem responsável mantinha um bom bigode, e limpo. "Sorriso branco" incluía até 90% dos dentes da frente, e eram só menos amarelados.
Mas lá estava, uma moça de seus vinte e poucos anos, vestido discreto, cabelos levemente ruivos, sardas no rosto, usando uma 6873.
Incrivelmente, consegui me aproximar dela. Surpreendi quando falei da máquina, e não de algum aspecto físico da moça. E notei que ela não parava de digitar para conversar. Meu pai e o gerente conversaram por dois minutos, e quando percebi estávamos de saída. A secretária se despediu de mim, apertou minha mão e conseguiu colocar lá dentro um papel com sete dígitos e um nome.
Foi assim que conheci Sônia.
Voltei com meu pai para o escritório, ainda pensando no papel que ela me deu. Seria possível que aquilo fosse um telefone? O dela? Mas porque? Minha mente, sem entender o que aconteceu, divagava, e nisso me vi pensando em digitar que nem ela, enquanto conversava e olhava para os lados, sem notar o que minhas mãos faziam.
Andávamos pela Rio Branco, e os ônibus passavam pasmacentos, mas eficazes. Fiquei muito tempo imaginando se cruzei sem saber com Nelson Rodrigues, ali nos arredores da Rua da Ajuda. No sinal, comentei com meu pai que não entendia como as cores mudavam.
– É por tempo, meu querido. A luz verde fica uns tantos segundos acesa, aí se apaga para dar lugar à luz vermelha, que nos deixa passar.
– Sim, pai, mas como funciona naqueles filmes de lá de fora, que ainda tem um sinal para os pedestres?
Meu pai pensou um pouco. De fato, nossos semáforos daquele tempo eram algo de pitoresco: um quadrado listrado de branco e preto, com uma luzinha verde-amarelada e outra vermelho-alaranjada. A tinta dos vidros do semáforo não eram tão uniformes como passariam a ser depois. Ainda tinham uma espécie de quepe, um protetor para não pegar chuva e as pessoas poderem ver de fato qual estava acesa.
Tinha um funcionário da prefeitura que era responsável por passar um pano e limpar a poeira preta do monóxido de carbono que se acumulava no vidro, duas vezes por mês. O mesmo que se responsabilizava por limpar os azulejos das paredes dos túneis.
– Não sei, filho, mas acho que o interruptor de tempo que tem perto das luzes do semáforo devem ficar no poste, aí elas passam energia para o vermelho de parar os carros, enquanto coloca o verde para os pedestres andarem.
Olhei de novo para o nosso sinal. Não tinha postes presos à ele. Eram fios que vinham da rua. O mecanismo todo tinha que estar dentro daquela caixa listrada, lá no alto.
– Mas então aqui temos uma obra de engenharia, com aquela caixa pendurada lá no alto segurando luzes, relógio, temporizador, tudo junto!
– Isso mesmo, filho! Um engenho à vista de todos, e invisível para a maioria.
Parecia que ele estava orgulhoso de mim.

quinta-feira, setembro 05, 2013

Gênio do Mal

de Charles Baudelaire
Gostavas de tragar o universo inteiro, 
Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro, 
Para se exercitar no jogo singular, 
Por dia um coração precisa devorar. 
Os teus olhos, a arder, lembram as gambiarras 
Das barracas de feira, e prendem como garras; 
Usam com insolência os filtros infernais, 
Levando a perdição às almas dos mortais. 

Ó monstro surdo e cego, em maldades fecundo! 
Engenho salutar, que exaure o sangue do mundo 
Tu não sentes pudor? o pejo não te invade? 
Nenhum espelho há que te mostre a verdade? 
A grandeza do mal, com que tu folgas tanto. 
Nunca, jamais, te fez recuar com espanto 
Quando a Natura-mãe, com um fim ignorado, 
— Ó mulher infernal, rainha do Pecado! — 
Vai recorrer a ti para um génio formar? 

Ó grandeza de lama! ó ignomínia sem par. 

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal" 
Tradução de Delfim Guimarães 
Extraído do http://www.citador.pt

terça-feira, agosto 20, 2013

Pobrezinha!

Vi a indignação da coreógrafa Débora Colker contra a discriminação e o preconceito que sofreu seu pobre netinho. Lembrei rapidamente daquele joguinho de erros da Cissa Guimarães. E em seguida, fico vendo o povo proibido de entrar nas câmaras de Deputados e Vereadores pra gritar que tudo em volta está errado.
Vocês não estão vendo nada de errado não? Toda essa história pertence a uma mesma palhaçada, e a primeira responsável que eu chamo aqui é a dona Cissa Guimarães.
Perdeu um filho. Sinceramente, não desejo essa dor nem mesmo à mãe do Sarney. Mas perdeu, porque? Porque o guri foi brincar no canteiro de manutenção do túnel. Podia? Não. Foi orientado? Não. Morreu em decorrência dos equipamentos? Não também. Morreu porque um outro moleque também queria brincar. Longa sequência de perguntas simples, vou resumir: isso ia aparecer no mainstream como fato relevante se não tivesse a celebridade no meio?
Sinceramente, eu repreenderia a Gol por exigir o atestado de saúde, somente dentro do vôo. O Governo brasileiro assinou normas internacionais de vôo, que impedem por exemplo um passageiro com doença aparente de embarcar sem um atestado com firma reconhecida. Rezo para que a zelosa avózinha da criança não tenha incorrido na besteira de esconder os ferimentos da triste e rara doença que acomete o infante, durante o check-in. Isto remeteria à má fé.
Na verdade, se você olhar com cuidado as normas para viagem de elevador, também é proibido entrar em um sem um atestado. Ou mesmo ir à praia. Ou à creche.
Eu passei a minha infância com uma patologia bem menor que essa, acredite se quiser uma mera dermatite seborréica, ou caspa. No meu caso era bem aguda, e escorria por trás das orelhas. Fedia. Deixava placas de pele em carne viva. Cheguei a passar remédio de cachorro pra ver se melhorava, tanta vergonha e piada tive de aguentar. Raspei a cabeça. Pior, não tinha nem mesmo uma parente desinformada pra fazer discurso na mídia. Minha própria família ria das minhas queixas.
Agora, conforme a própria Débora disse, o neto dela passou, sim, por um constrangimento: não se pôs ela, figura pública e portanto capaz de influenciar a opinião pública, no lugar do próximo. Fosse eu lá, ao seu lado, com uma pereba estranha no rosto e tossindo, tocando braço com braço, duvido que toda essa indignação em defesa da criança fosse aparecer. A criança que se foda, pensaria ela e a maioria dos importantes. Longe de mim com essas perebas.
Eu estou com esse longo discurso dizendo uma cosinha só. Todos vocês, que pularam de pernas abertas pra reclamar que a norma internacional de aviação foi burra e preconceituosa, todos vocês que aceitam que a Débora é cidadã de primeira classe e merece tratamento à altura, eu tenho certeza que cada um de vocês devem estar indignados com o manifesto na casa do governador Sérgio Cabral. E eu queria poder bater em cada um de vocês, por me tornar, com sua defesa, um cidadão de segunda ou terceira classe. Por me excluírem, ao aceitarem o discurso dela no rol do plausível, de uma sociedade equânime.
São vocês que ensinam ao PM, conforme visto hoje no noticiário, que "devogado é otoridade".São vocês que ensinam ao deputado, que o povo não pode atrapalhar a assembléia da câmara com seus protestos. São vocês que dão audiência ao Adriano quando ele é pegador e baladeiro. Agora que ele precisa de patrão, vai lá ver que anjinho magro, né?
Pobrezinha da ética. Tão pelada, tão perdida...

terça-feira, agosto 13, 2013

Jynx


Sonhei com um animal que eu mesmo chamei de Jynx. Já vi esse termo ser usado com muita frequência para se referir a sorte questionável. Mas nesse meu sonho, jynx era uma espécie de gato doméstico, mas com uma padronagem de pelo contendo mais círculos.

Eles pareciam ter o mesmo tamanho e porte do gato doméstico, mas a cauda e as orelhas eram mais longos, assim como os membros dianteiros. Estes membros ficavam bem retraínas laterais do corpo, mas sem nenhum aviso podiam se abrir em asas! Gatos que voam!
Quando der, desenho pra vocês.

sexta-feira, março 01, 2013

Mestre dos magos no inferno

Todos os banquetes dos quais provei pequenas colheradas, indo-me apressado adiante, adiante, adiante.
A fila anda pra mim. Mas não comigo.
Minimizando os estragos, encolhendo a receita, agilizando o presente para garantir algum futuro.
O olhar de despedida, que antes explicou tudo, que sentia muito, que nada podia ser feito – volta a dizer as mesmas coisas, com as mesmas razões insinuadas.
Se eu revivo uma história, é porque fui burro demais da primeira vez. Não se revive o que já se viveu inteiro.

domingo, fevereiro 03, 2013

Porque às vezes, amigo, dá merda.


Se a gente olha uma situação diferente assim, de primeira, um cara que nem eu pode se sentir excluído. Mas eu nunca fui de olhar rapidinho pra nada.
Disciplina é liberdade; compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem.
E deixar por conta própria quem você ama, é o verdadeiro e único amor nessa vida boteco pé sujo.
Eu tenho amigo que é forte na vida, e chamo ele de Vitor.
Eu tenho amigo que tem a força necessária, e chamo ele de Marcelo.
Mas eu aqui, sou forte de alma, nunca me neguei esse direito. E um cara que nem eu ensina e torce. Abre o coração e espera aquele dia especial em que não vai tomar uma facada. Porque, de verdade, foda-se quantas vezes te sacanearam, o importante é quando for a pessoa certa, você ainda estar lá por ela. Mesmo que ela não esteja esperando isso de você.

terça-feira, agosto 21, 2012

Random thinking (if that's possible for me)

Sete pecados capitais, cada um custa a sua cabeça. Você pode achar formas novas de cometer velhos pecados. Os joguinhos, os joguinhos todos de Facebook e derivados, eles podem te ajudar com a sua avareza e cobiça, fornecem novas gramas mais verdes em novos vizinhos. Você pode ter novas gulas, novas glutonias, e devorar livros que enchem sua cabeça e jamais te levam praquele mito poderoso que irá curar sua nação.
Povo de Canaã, aceite o Pilão desta Capital!
Em algum momento que é memória, portanto já passou, admito que minha memória é sem distinção da passagem do tempo. Ontem e na infância são a mesma coisa, o que no meu caso faz um sentido especial. Mas aí ouço em resposta que essa é uma das características da psicose. Que eu pensava que tinha a ver também com gostar das coisas sempre na mesma ordem.
Toc, toc.
Minha nave está à deriva, combustível demais e propulsão de menos. Falta o navegador falar alguma coisa. Malditos, malditos mapas, eles sempre são confusos de entender. Mas ainda bem que eu sou o capitão. Quem tem que ficar nervoso com a falta de rumo sou eu. E eu já me acostumei a ser de Peixes.
O problema de ser amigo dos monolitos é que você começa a entender a manha deles. Eles parecem lapidares, mas nunca foram. Mudam de idéia mais do que patricinha bulímica na Gávea. Elas sim, se você quer saber, elas sim são determinadas. Apesar de se renderem a uma vaidade de serem nada, cada vez mais nada, cada vez mais vazio ao redor delas, elas ainda assim tem mais coisa na cabeça do que a gente pensa. Mas a cabeça também rola, no capital dos pecados.
Ainda bem que eu não fui, mas queria ter ido. Se tivesse ido, não estaria onde precisam de curativos. Emergência, emergência, onde eu posso sedar a arrogância?
Eu já senti a pata do leão me guardar antes. Pra depois. Ainda estou aqui, mas até quando? E esse pavio, qual a regra dele? Tão curto, mas tão curto, e ainda assim sempre está a meio caminho de terminar.
Até que um dia termina, e você descobre que o arqueiro do paradoxo é você.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Desculpas

Eu nunca culpei. Nem vou culpar. Ninguém.
Depois de um tempo, com o nível de compreensão certo, podemos simplesmente entender que nossas ações são responsáveis pelas consequências. O mundo não é, perceba, tão simples. Histórias de séculos atrás ainda tem influência nos eventos atuais. O que aconteceu ontem não tem a menor importância, por outro lado. Nenhum peso é absoluto, tudo depende do observador. Se o observador for eu, a minha decisão é me responsabilizar por tudo. Até onde minha vista alcança, a culpa é minha e eu vivo assim.
Pode parecer triste, a mentalidade de um deprimido. Mas aí vai o segredo: não me arrependo de nada, e na medida do meu possível, as histórias que passam por mim ficam amarradas e encerradas. Se não ficaram, ainda que minha culpa esteja lá, é porque não pude fazer mais nada. Portanto, não me arrependo de quase praticamente nada.
Apostei, por exemplo, uma caixa de cerveja num relacionamento. Na hora parecia divertido, porque eu tenho essa vaidade de ver no futuro. E eu achei genuinamente que ninguém se machucaria, que tudo seria uma espécie de "polícia e ladrão" de adultos, uma farra. Hoje eu me envergonho de ter feito isso.
Essa é uma das raras vezes que guardei arrependimento. Tiveram outras. Até bem piores. Droga, eu erro. E daí?
Por muito tempo na minha vida eu tentei montar meu time. Não as pessoas perfeitas, mas aquelas que tinham o que eu não tinha. Crente que basta informar seu intento, e ser compreendido, eu me comunico com todo mundo, conto meus planos, me preparo. Luto o tempo todo pelo que eu quero, e não pense que desejo ser feliz - quero apenas ser dono dos meus problemas.
Não quero ser culpado do que os outros decidem jogar nas minhas costas. Não quero carregar ninguém. Não quero parecer um morador de vilarejo de videogame, que está sempre disposto a ajudar qualquer um que passe pela porta.
Quero ter minha família, passar uma chave na porta e respirar. Enquanto o mundo fica lá fora. Fora do meu endereço.
O que eu não aguento é perceber que a insegurança dos outros tem que ser jogada na minha cara. Eu já tenho minhas dúvidas. Eu já tenho meus aborrecimentos. Eu já compartilhei o que era só meu. Vai cuidar da sua vida.
Eu não quero é conviver com pessoas que me irritam profundamente, esbravejam suas verdades na minha cara, interrompem minhas respostas. E quando eu finalmente perco a paciência, de dois em dois anos, e tomo uma atitude, não fiquem choramingando pelos cantos, querendo fugir do monstro.
Não quero aquele olhar imbecil de ignorância, como se eu tivesse simplesmente ficado louco de repente, e o que passou há cinco minutos ser esquecido pelo benefício de uma vítima de ocasião.
Não quero os conhecidos me olhando como se eu fosse o pior ser humano, me encarando como se imaginassem de que maneira aquele homem civilizado se torna um doente mental que ataca sem razão, porque ao meu redor tudo que eu crio é opressão e desgraça.
E se não puder ser assim, então paciência. Vou embora. E nesse dia, desculpe, não vou me arrepender.
Cansei de ser idiota.

Atualização

 Na última vez que escrevi neste blog, estava me despedindo de Denise. Uma vida inteira pensando se poderíamos ficar juntos, e o tempo que t...