Passei mais ou menos os últimos três anos em grande ansiedade. Engordei, dormi mal, estraguei um joelho, tudo no medo de um porvir que, sinceramente, não tinha idéia do que seria. Ter essa pequena clarividência que eu tenho, assim como meu pai também tinha, é mais um problema do que uma solução. Eu choro términos de namoro e falecimentos meses, às vezes anos antes deles ocorrerem. Comemoro vitórias e presentes antes mesmo de existirem. E na hora em que a premonição vira presente, eu estou lá, de pé, para o que der e vier.
Chorei minha Oma aos dez, carreguei a alça do seu caixão aos treze. Chorei meu pai aos vinte e um, fui carregar seu caixão em Botafogo depois dos trinta, todos os amigos me encarando como se eu não tivesse direito de estar ali. Também não me pegou de surpresa, esse desacato, às vezes parece que eu sou enganado só porque dou mole.
Vi a partida da minha outra avó, a abusiva, enquanto encarava ela. Vi, e com outros dons que temos na família, mostrei o horror da partida. Ela viu, entrou em negação e só foi se lembrar daquilo no seu agonizante leito de morte. Falou meu nome um ano seguido, enquanto dores maiores que a morfina tomavam conta dela.
Eu não ligo se você vai achar esta postagem algo de fantástica. A vida, pela sua mais humilde biologia, já é uma miríade de deslumbramentos e contradições. Eu não preciso inventar que conheço um certo grau de telepatia, clarividência e alguma projeção astral. Muitas vezes, se eu jogar tarô pra você, vai valer a pena me ouvir. E tem dias, afinal, que nada disso dá certo. Fazer o quê?
Tem um tipo de verme que, ao morrer, emite uma luz azulada. Tem um outro bicho que é imortal, só fica renascendo. E tem um tipo especial de animal que acha que pode viver por meio de livros.
Acho que existe um mundo além desse vivenciado pelas leis da física. Não sei como ele funciona, mas sei que funciona. Pude sentir um plano delineado ao meu redor em várias escalas, em diversos momentos, por toda minha vida até aqui. Vi coisas acontecerem comigo e com outras pessoas que só acreditando num plano para que acontecessem desta ou daquela maneira.
Isso quer dizer que eu sou determinista? Não. Só pra começar, mesmo quando a gente vê uma situação, nunca sabemos em que estado de espírito entraremos naquele momento, com aquele acontecimento rolando. Só tenta se colocar na pele do herói de H.G. Wells, em A Máquina do Tempo: incapaz de consertar o passado, ele se condena a assistir inúmeras variações da morte da noiva, impreterivelmente no mesmo horário. No entanto, conforme suas tentativas vão fracassando, ele vai conseguindo, aos poucos, se distanciar da dor de perdê-la para poder finalmente seguir adiante em sua jornada. Ali naquela história, a morte estava determinada, não sabemos se por ter virado passado ou pela determinística; mas o herói, este muda a sua própria ótica para seguir adiante. Para ultrapassar aquele bloco emocional. E então, o restante da história pode acontecer.
Tudo isso só pra te dizer, de novo: você escolhe como vai entrar nos momentos. E isso muda tudo.
Mas voltando ao que estava tentando dizer no começo, a premonição que eu tive era: "Você vai perder tudo que hoje está ao seu redor". Há cerca de três anos.
Cara isso é terrível de se absorver. Mas tem exatamente o mesmo sentimento e efeito que tirar a carta da Morte num jogo de tarô: simplesmente não é nada do que você está pensando.
De fato, tudo que eu tinha ao redor acabou. Endereço, telefone, trabalho, relacionamentos. Tudo.
Hoje eu sou acordado com carinho, e pela mulher mais maravilhosa que eu conheci em toda a minha vida. E não é por me namorar, não. Acho que ela até tá se enrolando comigo. Ela é espetacular por ela mesma. E eu estou começando, finalmente, a sacar quem eu sou. Porque eu simplesmente não vivo mais no terror dos outros. Eu vivo nos meus terrores, e vivo cada um de peito aberto, pra rir um pouco, pra chorar um pouco, e quem sabe, às vezes até mesmo me apavorar. Por mim mesmo.
quinta-feira, dezembro 04, 2014
Reconsiderações
sexta-feira, outubro 03, 2014
Pequenos toques que podem fazer uma baita diferença (um dia) (no sonho)
۩ Voto branco e nulo só ajuda quem está interessado em se manter no poder. O mito de que tem como uma eleição ser re-feita se tantos nulos e/ou brancos forem atingidos é idiotice.
Referência do TSE sobre os votos brancos e nulos
۩ O voto-cacareco (votar no ridículo) é capitalizado pelos partidos hoje em dia. Tiririca, por exemplo, arrastou com ele mais três candidatos, a se saber:
- Otoniel Lima, PRB - Enviou dois projetos seus (de praticamente nenhuma relevância) e votou 58 outros projetos.
- Delegado Protógenes, PCdoB - Admito que não tenho patamar pra analisar este.
- Vanderlei Siraque, PT - Caiu na ficha suja do TSE, mas sabe como é.
Você se identifica com o Levy Fidélix? Vai fundo! Dá seu voto a ele! Mas por favor, não seja uma Maria Vai-com-as-outras só porque ele não tem chance.
quarta-feira, setembro 24, 2014
Carl Hart: Drogas não tornam pessoas em criminosos
O neurocientista Carl Hart esteve no Brasil em setembro de 2014 e teve menos atenção que o pontapé biomecânico do Nicolelis na abertura da Copa do Mundo da Fifa. Tive interesse em buscar este material, originalmente publicado na AlterNet, pela simples questão que acho conveniente demais que todos os políticos e repórteres seguem a mesma cartilha todo o tempo, e após décadas de violento debate, nem as respostas mudam, nem as abordagens. O povo vive no medo. Ainda por cima, o cara parece o Denzel Washington.O autor de "Um Preço Muito Alto" argumenta que as drogas viraram um bode expiatório fácil para problemas relacionados mais com pobreza e racismo.
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| Carl Hart acredita que o problema do crack é a pobreza |
Entrelaçada com sua própria história sobre as lutas entre famílias e comunidades estressadas pela falta de capital e poder sobre seus arredores, ele está desenvolvendo novas pesquisas sobre o uso de substâncias. Hart usa sua própria vida e trabalho para revelar que as drogas não são nem de perto tão perigosas quando se pensa. Por exemplo, muitas pessoas usuárias das drogas mais "viciantes" não desenvolvem necessariamente um problema. Aliás, drogas são responsabilizadas por muitos problemas relacionados à pobreza. As políticas que se resultam deste desentendimento são catastroficamente mal orientadas. Kristen Gynne, repórter do AlterNet, falou com Hart sobre sua vida e pesquisa.
Kristen Gynne: Pode nos mencionar algumas das falsas conclusões sobre drogas que você está enfrentando?
KG: Como a falta de pessoas de cor na academia, ou no processo de pesquisa, afeta nosso entendimento sobre as drogas?
KG: E como resultado eles não compreendem o próprio ambiente, ou tem outras variáveis que afetam as decisões e comportamento e erram o alvo?
KG: Você fala sobre as pessoas culparem as drogas, quando esses problemas são ativados pelo stress da pobreza. Tem alguns exemplos?
Agora, se você olhar para a história em comunidades pobres – minha comunidade, minha família – muito antes do crack entrar em cena, este tipo de coisa aconteceu na minha casa. Fomos criados pela minha avó. Minha mãe foi embora porque ela e meu pai se separaram. Ela foi atrás de melhores empregos e teve de sair do estado, mas não foi só ela. Este tipo de coisa, essa patologia atribuída às drogas, aconteceu com comunidades de imigrantes como os judeus da Europa Oriental quando vieram morar no Lower East Side, mas as pessoas simplesmente passaram a culpar as drogas nos anos 1980 e 1990.
Um outro exemplo é que, desde a era do crack, vários estudos descobriram que os efeitos do crack usado durante a gestação não cria uma epidemia de bebês-crack negros. Ao invés disso, crianças expostas ao crack durante a gravidez cresceram normalmente, e estudos descobriram repetidas vezes que diferenças entre elas e crianças não-expostas não podem ser isoladas dos efeitos sobre a saúde de se crescer pobre e sem um acesso a ambiente estável e plano hospitalar.
KG: E sobre a idéia que drogas podem tornar pessoas em criminosas?
KG: E sobre o vício? Algumas pessoas que consomem drogas não vão inevitavelmente se tornar dependentes?
KG Que tipo de fatores ambientais contam?
KG: Então se as drogas não são o problema, porque dizemos que são?
KG: O que na verdade é responsável pelos problemas comumente ligados às drogas?
KG: Em seus agradecimentos, você agradece ao Aid to Families with Dependent Children, que você chama de "bem estar como uma vez soubemos ter."
KG: Como o racismo institucional afeta a política? No seu livro, você mostra como o crack, que é farmacologicamente quase idêntico à cocaína, é punido com uma desproporção de sentenças de 18:1 (e já foi 100:1)* devido à linguagem de racismo codificado ligando a "escória do crack" ao mau comportamento em comunidades pobres e negras. Tem também um relatório recente da ACLU (American Civil Liberties Union, União das Liberdades Civis Americanas) que indica que os negros são em média quatro vezes mais presos por maconha do que brancos.
* Não sei se traduzi bem, o conceito dessa frase me foi inesperado: o texto quer dizer que, para cada ano de condenação por porte de cocaína, tem dezoito anos de sentença para crack em outros processos. Isso é uma meta de redução da disparidade, que já foi de cem anos no crack para cada ano na cocaína. Vale ressaltar que, culturalmente, a cocaína é considerada uma droga de alta sociedade, enquanto o crack é a versão "gueto".
KG: Como a metanfetamina mudou esse discurso?
KG: Em seu livro, parece que você sente alguma culpa por ter sido bem-sucedido, como se abandonasse a sua comunidade. Como sua vida mudou?
KG: Como você navega entre duas culturas diferentes?
KG: Como esse livro se remete à sua experiência na academia e na América negra?
KG: Como a política que reflete a realidade deveria ser, e como chegamos até ela?
Esta reportagem foi livremente traduzida por mim como um exercício. Não me arrogo de tradutor, assim como gostaria de ser consultado a respeito do uso desta postagem.
segunda-feira, junho 30, 2014
Na granja Comary, cresce a grama; Neymar dá sorrisinho de lado.
Hoje de manhã, o jardineiro foi interpelado pela nossa equipe para apresentar "pelo amor de Deus", segundo pediu nosso repórter, algum dado novo. Rindo, o funcionário comentou que a grama deve ter crescido.
Consultamos diversos cientistas, e o mundialmente famoso agrônomo Osvaldo Tranho comentou o lance.
– De fato, é bastante provável que a grama, desde que vocês perguntaram da última vez, tenha de fato ganho algum tamanho.
Ainda acrescentou à nossa reportagem que, caso necessário, o nosso prêmio Nobel da Agrotecnologia poderia calcular a taxa de crescimento para que tivéssemos novas notícias a dar para o público faminto por novidades.
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A nossa equipe também registrou que foram incendiados três ônibus próximo a alguma comunidade, e dessa vez decidimos culpar os traficantes porque a matéria dá menos trabalho.
quinta-feira, junho 19, 2014
Racionalizando
Engraçadinho ver todo mundo achando ruim que tem manifestação. Mas os dotô político morre de medo de passar vergonha na frente dos gringos. Os dotô impresário também. E eu acho fundamental termos um governo com medo do povo, ao invés de um povo com medo ou indiferente ao governo.
Se não dermos nosso manifesto agora, não damos nunca mais.
Esse papinho furado de que o voto é arma, isso não leva a nada. Como Banksy já repetiu, se voto valesse alguma coisa, seria pago. O que temos de fazer de novo é criar o MEDO em quem assumir um cargo daqui por diante. O cara tem que ter medo de sair de casa pra fazer campanha. E tem sair, porque não pode cagar o patrimônio público com galhardete e papel sonho.
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E vem cá, a Xuxa fica ganhando essa merreca toda de aliciadora de menores. O filme nem era pornô, era só uma merda malfeita mesmo, mas estava justamente mostrando como a inocência infantil é frágil. Tinha Tarcísio Meira, Vera Fischer e o escambau.
Quem tem que tomar esporro nessa história toda não eram os pais do garoto "corrompido" na cena do filme? Porque, junto com a Xuxa que só deu um beijinho, tinha mais dez peruas na cena em que ele é atacado. Todas pulam em cima dele, algumas mirando da cintura pra baixo, e não escuto o nome de nenhuma delas.
Qual é, galera?
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Tudo que você escolhe é importante.
Quando você fica com medo e valoriza um condomínio com grades, é a segurança pública que você repudia; quando você paga um plano de saúde achando que "sei lá, quem sabe, um dia" isso vai te salvar, é a saúde pública que você JÁ PAGA para ter que você repudia; quando você acha que 'menas' é mais, e não há 'poblema' em 'estrupar' o idioma número seis do mundo, é do professor que você ignora precisar. Quando o médico não te atende e ninguém lembra do Juramento de Hipócrates, antes de qualquer outra coisa, é a cultura geral e a inteligência social que você joga fora.
Eu vivo numa cidade em que olhamos feio um lixinho no chão. Queremos separar lixo mas não deixamos de separar as pessoas. Queremos que o outro deixe o nosso carro passar. Mas jamais pensamos que podemos não precisar do carro que temos.
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Entendamos, portanto, que um policial com arma na mão tem dolo em cada bala que dispara. Que um médico NUNCA pode omitir socorro. Que um advogado tem o dever cívico de defender toda a sociedade, inclusive de sua auto-indulgência, não apenas o microonibus da OAB andando no Centro.
Não precisam concordar comigo, mas eu acho que o artista perdeu o critério, a referência, a noção e a capacidade de criticar a sociedade, e este é o último crime de uma sequência de horrores.
terça-feira, maio 20, 2014
Troncha
Perdida ao meio da estrada lúgubre, pichada por canadenses assexuados, já nem sabes o que pretendias: causar? estragar? salvar?
Nada deu em nada para ti. Já soube, que eu vi no fundo de teus olhos e dentro da tua alma, já soube o que era aquele céu que de vez em quando babejas em teus toscos textos. Eu vi você lá, porque foi onde te coloquei incontáveis vezes. E quem mais fez isso?
Vais andar abraçada a teus murmúrios, com as macaquinhas de auditório a te fazerem coro, sem sequer entender que jamais poderão ser o que você foi, ou é. Vai, desclame-se. Aporrinhe-se. Perca-se.
Mas dá um jeito de devolver aquele laptop, ele é bom demais para ti, sua brega.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
Física Quântica prova que a morte é uma ilusão
A morte é uma ilusão?
A maioria dos cientistas provavelmente dirão que o conceito de pós-vida é ou nonsense, ou no mínimo improvável.Ainda assim um expert afirma que tem evidências para confirmar a existência após o túmulo – e elas repousam na física quântica.
O professor Robert Lanza afirma que a teoria do biocentrismo ensina que a morte tal como a conhecemos é uma ilusão criada pela nossa consciência.
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Professor Robert Lanza, acima, com sua teoria explicada no seu livro Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe
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Lanza, da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest no Norte da Carolina, ainda explica que como humanos acreditamos na morte porque ‘fomos educados para acreditar’, ou mais especificamente, nossa consciência associa vida com corpos e nós sabemos que corpos morrem.
Sua teoria do biocentrismo, no entanto, explica que a morte pode não ser tão terminal como nós pensamos que é. Biocentrismo é considerada uma teoria para o todo e vem do grego para ‘vida no centro’. É a crença de que a vida e a biologia são centrais para a realidade e a vida cria o universo, não o contrário.
Isto sugere que a consciência de uma pessoa determina o formato e o tamanho dos objetos no universo. Lanza usa o exemplo de como percebemos o mundo ao nosso redor. Uma pessoa vê um céu azul, e é dito que a cor que estão vendo é o azul, mas as células no cérebro de cada pessoa podem fazer o céu ficar verde ou vermelho.
‘Resumindo: o que você vê pode não existir sem sua consciência’ explica Lanza. ‘Nossa consciência dá sentido ao mundo.’
A Teoria completa de Lanza pode ser lida em Biocentrism: How Life and Consciousness are the Keys to Understanding the True Nature of the Universe.COMO O EXPERIMENTO DA FENDA DUPLA SUPORTA A TEORIA DE LANZANo experimento, quando os cientistas observam uma partícula atravessar através de duas fendas em uma barreira, a partícula se comporta como uma bala e passa ou por uma, ou pela outra fenda.Quando uma pessoa não está observando a partícula, ela se comporta como uma onda.Isso significa que ela pode atravessar as duas fendas ao mesmo tempo. Isso demonstra que matéria e energia podem apresentar características tanto de onda como de partículas, e este comportamento de partícula muda baseado na percepção e consciência do observador.
----------------------------------------------- FIM DA TRADUÇÃO -------------------------------------------
Eu não consegui parar de me lembrar de um amigo meu, que resumiria esta matéria toda muito facilmente, exatamente por ser um surfista de corpo e de alma. Posso citá-lo em minha imaginação:
Cara a partícula fica lá fazendo o que você quer, mas se você não tomar conta, é que nem leite fervendo, maluco, ela fica de onda e pã.
quarta-feira, novembro 20, 2013
Os oito tipos de clientes em balcão de loja
(texto traduzido do site do College Humor em http://www.collegehumor.com/article/6937594/the-eight-most-annoying-customers-at-your-retail-job)
Felizmente pra você este chiclete me lembra de um outro que eu comprava quando era criança, mas você sabia que este chiclete custava UM TOSTÃO. Agora que você claramente não tem idéia de que produtos de consumo sobem enquanto a economia cresce, eu vou listar mais dez coisas que custavam TÃO BARATO naquela época. Loucura né?
Você sabe o que mais é uma loucura? Meu marido! Ele já morreu, claro, mas isso não vai me impedir de te contar histórias sobre ele até o pessoal do asilo vir me buscar.
Só esse pacotinho de fritas pra mim, por favor. Sim, vou pagar esses dois reais em cartão de crédito. Ih, agora que você acabou de passar a venda, acabei de me lembrar que quero uma latinha de refrigerante também! Ai como eu sou bobo... Passa o cartão de novo, por favor.
Cara que coisa, na verdade eu tenho essa lista de coisas pra comprar então você não se importa se eu pegar um por um e passar aqui pra pagar no cartão.
Pensando bem, eu não preciso dessa batata frita. Pode estornar a venda no meu cartão. Não, não quero dinheiro, estorna pra mim. Sim, eu tô me lixando pro tempo de todo mundo, meu inclusive.
É isso: este é o momento mais importante da minha vida. Eu tenho nas mãos DUAS barras de chocolate. Na minha mão esquerda, eu tenho uma barra de Snickers super deliciosa. Na minha mão direita, uma combinação de chocolate crocante e creme delicioso de um Twix. Como pode qualquer pessoa aguentar a pressão desta escolha? Reinos caíram e surgiram por menos que isso.
Como assim? Como você espera que eu preste atenção na cavalgada de compradores atrás de mim quando o destino de meu estômago está na balança? Meu amigo, essa decisão vai definir quanto de saciedade eu vou sentir pelos próximos vinte minutos PELO MENOS.
Peraí, vocês vendem paçoca? Eu tenho que desenhar um organograma.
Certo, agora que eu te dei os 37 itens da minha lista pra você somar, eu vou pegar minha carteira... peraí, cadê minha carteira? Eu sei que ela estava aqui no meu bolso há um segundo. Deixa eu gastar cinco minutos me revistando como segurança no estádio. Cara isso NUNCA aconteceu comigo, eu SEI que tá aqui em algum lugar. Talvez no meu sapato? QUem sabe no meu bolso de bochecha que nem um hamster?
Eu devo ter deixado no meu carro. Vou deixar tudo aqui pra ir até o carro e ver se está lá.
Não, não estava lá. Isso tudo é tão louco... Eu –ih olha, tá no meu bolso de trás! Haha cara, de vez em quando a vida é tão louca... Posso pagar tudo em moeda? deixa eu achar minhas moedinhas aqui...
E aí cara, como vão as coisas? Meio mole e pra esquerda? Hehe sacanagem, só uma palhinha pro amigo. Sei que é a primeira vez que a gente se vê, mas eu vou inventar uns dez apelidos pra você enquanto fico te cutucando e chamando tanto que você vai achar que eu tô tendo um ataque epilético. Tudo isso enquanto eu jogo um papinho de política velha e referências antigas de futebol que você nunca acompanhou. Legal, véio?
Agora, já que somos amigaços, você se importa se eu pagar em cheque?
Pô, isso aqui custa TRÊS REAIS?? Tá brincando? Acho que dá pra gente negociar isso melhor, né? Você aí no balcão com certeza tem poder de negociação, é o cara que faz os preços na loja inteira. Eu pago dois reais por isso, pra não perder a amizade.
Então tá, eu vou levar três desses por sete reais.
Tá certo, então. vou levar cinco desses por onze reais e te dou meu cartão de estacionamento com sorteio.
Meu camarada, quase me parece que você está desesperado o bastante pra me vender esse negocinho aqui, mesmo que isso custe seu emprego. Eu não respeito essa atitude. Dez desse negócio por catorze reais, e não se fala mais nisso.
Não? Bom agora que eu abri esse negócio e comi a metade, o valor cai, né? Pago um real pelo resto. Ainda são três reais? Bom, então eu derrubo tudo no chão! Ninguém vai querer comer doce do chão, então o valor cai também –pera, porque você chamou a segurança?
Pelos poderes ancestrais do PROCOM, eu voltei hoje para me vingar de um atendimento levemente ruim que eu tive ontem. Sim, isso mesmo, eu estou insatisfeita porque a compra que eu fiz ontem eu fui bruscamente incomodada e eu tenho certeza que isso foi planejado para me aborrecer, especialmente contra mim!
Um reembolso? UM REEMBOLSO? Isso é doentio da sua parte, me enoja até a alma se você acha que um reembolso pode cobrir o dano que eu sofri naquelas horas terríveis. Os pesos da elação gerada pela compra bem sucedida, NEGADAS A MIM por um trabalhador desatento! Atente, ó peão de pequena paga: eu estive nesta manhã atingida por tremores de fúria e ódio, apenas levemente contidos por uma fina fachada de calmaria. Eu antevi a chegada dos Titãs...
Peraí, isso é um cupom-desconto? Ah então tudo bem. Nada de mais.
terça-feira, setembro 10, 2013
Amor Dói - meio de caminho
Aquele escritório moderno, com lâmpadas fluorescentes e nada daqueles livros feiosos que apenas tinham lombadas falsas para guardar a bebida. A principal função do meu pai era conversar com pessoas que visitavam o escritório dele, então nada de muito suntuoso, mas ainda assim uma ou duas peças divertidas para distrair os mais tensos.
Me sentava numa mesa menor, levava meu dever de casa, e quando terminava ele me deixava mexer na máquina de escrever. IBM 6873. Eu achava ela uma peça de tecnologia dos deuses. Descobri uma vez que, por mais rápido que eu batesse nas teclas, ela conseguia escrever no papel cada um dos botões que eu pressionava. Eu comecei a tentar digitar adequadamente, sem bater ao acaso, mas o mais rápido que eu pudesse.
Numa tarde dessas, quando os bancos começavam a ficar mais vazios pelo advento do caixa eletrônico, eu estive com meu pai numa agência bancária. Eles tinham a mesma máquina numa mesa anexa à do gerente, onde uma moça muito bonita estava ocupada.
Rapaz, não tem como eu te dizer o que era bonito naquela época. Imagine que o melhor ar condicionado diminuía a temperatura lá de fora em cinco graus. Imagine que desodorante que durasse até depois do almoço "fazia milagres". Homem responsável mantinha um bom bigode, e limpo. "Sorriso branco" incluía até 90% dos dentes da frente, e eram só menos amarelados.
Mas lá estava, uma moça de seus vinte e poucos anos, vestido discreto, cabelos levemente ruivos, sardas no rosto, usando uma 6873.
Incrivelmente, consegui me aproximar dela. Surpreendi quando falei da máquina, e não de algum aspecto físico da moça. E notei que ela não parava de digitar para conversar. Meu pai e o gerente conversaram por dois minutos, e quando percebi estávamos de saída. A secretária se despediu de mim, apertou minha mão e conseguiu colocar lá dentro um papel com sete dígitos e um nome.
Foi assim que conheci Sônia.
Voltei com meu pai para o escritório, ainda pensando no papel que ela me deu. Seria possível que aquilo fosse um telefone? O dela? Mas porque? Minha mente, sem entender o que aconteceu, divagava, e nisso me vi pensando em digitar que nem ela, enquanto conversava e olhava para os lados, sem notar o que minhas mãos faziam.
Andávamos pela Rio Branco, e os ônibus passavam pasmacentos, mas eficazes. Fiquei muito tempo imaginando se cruzei sem saber com Nelson Rodrigues, ali nos arredores da Rua da Ajuda. No sinal, comentei com meu pai que não entendia como as cores mudavam.
– É por tempo, meu querido. A luz verde fica uns tantos segundos acesa, aí se apaga para dar lugar à luz vermelha, que nos deixa passar.
– Sim, pai, mas como funciona naqueles filmes de lá de fora, que ainda tem um sinal para os pedestres?
Meu pai pensou um pouco. De fato, nossos semáforos daquele tempo eram algo de pitoresco: um quadrado listrado de branco e preto, com uma luzinha verde-amarelada e outra vermelho-alaranjada. A tinta dos vidros do semáforo não eram tão uniformes como passariam a ser depois. Ainda tinham uma espécie de quepe, um protetor para não pegar chuva e as pessoas poderem ver de fato qual estava acesa.
Tinha um funcionário da prefeitura que era responsável por passar um pano e limpar a poeira preta do monóxido de carbono que se acumulava no vidro, duas vezes por mês. O mesmo que se responsabilizava por limpar os azulejos das paredes dos túneis.
– Não sei, filho, mas acho que o interruptor de tempo que tem perto das luzes do semáforo devem ficar no poste, aí elas passam energia para o vermelho de parar os carros, enquanto coloca o verde para os pedestres andarem.
Olhei de novo para o nosso sinal. Não tinha postes presos à ele. Eram fios que vinham da rua. O mecanismo todo tinha que estar dentro daquela caixa listrada, lá no alto.
– Mas então aqui temos uma obra de engenharia, com aquela caixa pendurada lá no alto segurando luzes, relógio, temporizador, tudo junto!
– Isso mesmo, filho! Um engenho à vista de todos, e invisível para a maioria.
Parecia que ele estava orgulhoso de mim.
quinta-feira, setembro 05, 2013
Gênio do Mal
Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro,
Para se exercitar no jogo singular,
Por dia um coração precisa devorar.
Os teus olhos, a arder, lembram as gambiarras
Das barracas de feira, e prendem como garras;
Usam com insolência os filtros infernais,
Levando a perdição às almas dos mortais.
Ó monstro surdo e cego, em maldades fecundo!
Engenho salutar, que exaure o sangue do mundo
Tu não sentes pudor? o pejo não te invade?
Nenhum espelho há que te mostre a verdade?
A grandeza do mal, com que tu folgas tanto.
Nunca, jamais, te fez recuar com espanto
Quando a Natura-mãe, com um fim ignorado,
— Ó mulher infernal, rainha do Pecado! —
Vai recorrer a ti para um génio formar?
Ó grandeza de lama! ó ignomínia sem par.
Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães Extraído do http://www.citador.pt
terça-feira, agosto 20, 2013
Pobrezinha!
Vocês não estão vendo nada de errado não? Toda essa história pertence a uma mesma palhaçada, e a primeira responsável que eu chamo aqui é a dona Cissa Guimarães.
Perdeu um filho. Sinceramente, não desejo essa dor nem mesmo à mãe do Sarney. Mas perdeu, porque? Porque o guri foi brincar no canteiro de manutenção do túnel. Podia? Não. Foi orientado? Não. Morreu em decorrência dos equipamentos? Não também. Morreu porque um outro moleque também queria brincar. Longa sequência de perguntas simples, vou resumir: isso ia aparecer no mainstream como fato relevante se não tivesse a celebridade no meio?
Sinceramente, eu repreenderia a Gol por exigir o atestado de saúde, somente dentro do vôo. O Governo brasileiro assinou normas internacionais de vôo, que impedem por exemplo um passageiro com doença aparente de embarcar sem um atestado com firma reconhecida. Rezo para que a zelosa avózinha da criança não tenha incorrido na besteira de esconder os ferimentos da triste e rara doença que acomete o infante, durante o check-in. Isto remeteria à má fé.
Na verdade, se você olhar com cuidado as normas para viagem de elevador, também é proibido entrar em um sem um atestado. Ou mesmo ir à praia. Ou à creche.
Eu passei a minha infância com uma patologia bem menor que essa, acredite se quiser uma mera dermatite seborréica, ou caspa. No meu caso era bem aguda, e escorria por trás das orelhas. Fedia. Deixava placas de pele em carne viva. Cheguei a passar remédio de cachorro pra ver se melhorava, tanta vergonha e piada tive de aguentar. Raspei a cabeça. Pior, não tinha nem mesmo uma parente desinformada pra fazer discurso na mídia. Minha própria família ria das minhas queixas.
Agora, conforme a própria Débora disse, o neto dela passou, sim, por um constrangimento: não se pôs ela, figura pública e portanto capaz de influenciar a opinião pública, no lugar do próximo. Fosse eu lá, ao seu lado, com uma pereba estranha no rosto e tossindo, tocando braço com braço, duvido que toda essa indignação em defesa da criança fosse aparecer. A criança que se foda, pensaria ela e a maioria dos importantes. Longe de mim com essas perebas.
Eu estou com esse longo discurso dizendo uma cosinha só. Todos vocês, que pularam de pernas abertas pra reclamar que a norma internacional de aviação foi burra e preconceituosa, todos vocês que aceitam que a Débora é cidadã de primeira classe e merece tratamento à altura, eu tenho certeza que cada um de vocês devem estar indignados com o manifesto na casa do governador Sérgio Cabral. E eu queria poder bater em cada um de vocês, por me tornar, com sua defesa, um cidadão de segunda ou terceira classe. Por me excluírem, ao aceitarem o discurso dela no rol do plausível, de uma sociedade equânime.
São vocês que ensinam ao PM, conforme visto hoje no noticiário, que "devogado é otoridade".São vocês que ensinam ao deputado, que o povo não pode atrapalhar a assembléia da câmara com seus protestos. São vocês que dão audiência ao Adriano quando ele é pegador e baladeiro. Agora que ele precisa de patrão, vai lá ver que anjinho magro, né?
Pobrezinha da ética. Tão pelada, tão perdida...
Atualização
Na última vez que escrevi neste blog, estava me despedindo de Denise. Uma vida inteira pensando se poderíamos ficar juntos, e o tempo que t...
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Existe uma possibilidade de Adriane Prange e Kirsten Dunst serem irmãs separadas na maternidade? Com os hospitais que temos por aí, sim. Mas...
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A Anne Rice compartilhou esta matéria pelo Facebook, e decidi traduzir. Notem que não sou tradutor profissional, estou apenas oferecendo o...













